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Estoques obsoletos, máquinas ociosas, resíduos e sucatas costumam ser um problema comum compartilhado por empresas e indústrias de diversos segmentos do mercado. E foi para resolver essa dor que OSucateiro.com resolveu transformar em negócio aquilo que, normalmente, é visto como descarte.

A cleantech gaúcha, ou startup verde como são conhecidas essas empresas que utilizam tecnologia limpa para melhorar a produtividade e a performance, criou uma plataforma de gerenciamento de sobras e ociosidades, ajudando empresas a se conectarem para a compra e venda desses materiais. “Os produtos e processos mudam de forma cada vez mais rápida, então, toda e qualquer indústria tem obsoletos”, analisa o CEO do OSucateiro.com, Rafael Davi Valentini.

Os empreendedores à frente da empresa puderam comprovar isso depois de uma longa pesquisa de mercado. Eles visitaram cerca de 1,5 mil empresas localizadas em mais de 20 países. Com isso, identificaram uma necessidade mundial de mercado relacionada aos obsoletos.

O funcionamento da plataforma OSucateiro.com é simples: o vendedor cadastra os produtos que deseja anunciar na plataforma e os compradores sinalizam o valor que desejam pagar por ele. Com isso, começa a negociação de ambas as partes, intermediada pela empresa, até a concretização ou não da venda.

O espaço de intermediação entre compradores e vendedores de máquinas, sucata, resíduo, entre outros, deve receber, só nos próximos 150 dias, cerca de meio bilhão de novos produtos. Além disso, são mais de 350 mil visualizações nas oportunidades presentes no marketplace a cada mês.

Os resultados obtidos pela operação mostram que a aposta dos idealizadores da empresa teve eco no mercado. No ano passado, o crescimento da empresa foi de 315% na receita e 269% no volume de vendas de produtos na comparação com 2019. Conforme os movimentos registrados nos primeiros meses de 2021, a expectativa é de que este ano seja ainda mais positivo.

Em 2021, o grande desafio para a startup será ajustar os processos de escala para dar início a um crescimento rápido e constante do negócio. Há também planos para intensificar a internacionalização da plataforma em andamento, mas que devem ganhar mais fôlego a partir de 2022.

Como estamos entrando em grandes multinacionais, o fluxo de operação está se direcionando para que a gente consiga melhorar os processos. Claro que nossos clientes são pequenos, médios e grandes, mas estamos construindo métodos de operação para facilitar a movimentação de produtos entre essas empresas de grande porte”, afirma o empreendedor.

A empresa OSucateiro.com foi fundada em 2015, em Caxias do Sul (RS), e é uma das cinco startups do especial Radar Caldeira Serra, uma iniciativa que conta com a curadoria do Instituto Caldeira e do Instituto Hélice, iniciativa da Serra Gaúcha que tem como mantenedoras Florense, Marcopolo, Metadados, Randon e Soprano. A ideia é apresentar as jovens empresas que estão contribuindo para a transformação de importantes indústrias gaúchas.

Cleantechs no Brasil

Além de transformar esses excedentes em fonte de receita para essas companhias, a atuação da startup tem o objetivo de promover e estimular o consumo consciente por meio da economia circular, aumentando a vida útil de produtos e reduzindo a extração e o uso de recursos naturais pela indústria.

“Quando tiramos algum produto do fundo dos pavilhões e colocamos no mercado, estamos evitando a extração de recursos naturais para a produção de novos produtos similares ou iguais”, contextualiza Valentini.

A empresa se posiciona como uma cleantech e integra a Rede Brasil do Pacto Global da ONU, considerada, atualmente, a maior iniciativa de sustentabilidade corporativa do mundo. São mais de 16 mil membros, entre empresas e organizações espalhadas por centenas de países.

Conhecida também como startups verdes, as cleantechs vêm aos poucos ganhando destaque no cenário nacional. De acordo com pesquisadores do Mapeamento do Ecossistema de Startups de Cleantech no Brasil, para que uma startup possa entrar nessa categoria, é necessário atender alguns requisitos, como fazer mais com menos, ser menos poluente e possuir modelo de negócio rentável.

Ainda de acordo com o levantamento, o Brasil conta com 136 empresas neste segmento, sendo que 33% dessas empresas atuam no mercado sem concorrência e mais de 70% atuam com o modelo B2B (business to business).

Conforme a pesquisa, as cleantechs podem ser divididas em oito categorias: energia limpa, armazenamento de energia, eficiência, transporte, ar e meio ambiente, indústria limpa, água e agricultura.

O CEO da OSucateiro.com, Rafael Davi Valentini, destaca alguns pontos decisivos para esses resultados positivos desde a fundação da empresa, como a qualidade da equipe e a união de objetivos compartilhada por todos.

“Não se faz uma empresa como a que criamos com uma equipe mediana, mas sim com um time de ponta. Além disso, quando falamos de propósito, estamos querendo dizer lutar por um bem maior do que o crescimento individual. Um propósito que traz comprometimento e uma linha de atuação de muito empenho”, ressalta.

P;S: Na foto da matéria, estão, a partir da esq: Rafael Davi Valentini, Rafael Nonemacher, Diego Rossa e Luciano Varallo

Raio-x

Nome da startup: OSucateiro.com

Nome dos sócios: Rafael Davi Valentini, Rafael Nonemacher, Diego Rossa e Luciano Varallo

Estágio: Escala

Segmento: Indústria

Número de colaboradores: 2, além de três sócios 100% dedicados ao negócio

Investimento já recebido: R$ 1 milhão

Principal produto: Marketplace que conecta indústrias que possuem estoques e máquinas obsoletas com compradores de oportunidades