scroll

Como serão as lavouras e a atuação do produtor rural em um futuro próximo? Que inovações devem ganhar escala e quais tecnologias vão ter mais espaço no agronegócio, que é responsável hoje por um terço do PIB nacional? Estes foram alguns dos questionamentos levantados no Caldeira Talks: “O que esperar da inovação agro para os próximos anos”, que reuniu expoentes do setor na sede do ecossistema de inovação, em Porto Alegre. 

A robótica deverá seguir trazendo mais automação para o campo, especialmente em áreas muito dependentes de trabalho braçal, como a horti e fruticultura. O monitoramento via satélite trará mais precisão na tomada de decisão do produtor. A sustentabilidade será ainda mais imperativa e, com isso, novas oportunidades, como a entrada no mercado de carbono devem se abrir para o agro.

Nos próximos anos, é preciso focar em entrega de resultado com as tecnologias que já estão sendo usadas, para que o produtor rural veja sentido em implementar novas soluções inovadoras, enfatiza Frederico Apollo, CEO da Elysion.

A Elysium é uma agtech que atua no sensoriamento, controle e automação da produção agrícola, com foco na agroindústria. Isso é feito através de um software desenvolvido pela empresa que organiza as informações da cadeia para mais de 3 mil produtores cadastrados. 

O aumento no custo dos alimentos e das commodities tem aumentado a capitalização dos produtores. Então vejo que aqueles mais resistentes à tecnologia estarão mais abertos a tomar a decisão de implementar novas soluções, acrescenta.

Para Frederico Logemann, head de Inovação e Estratégia da SLC Agrícola, uma das gigantes do segmento, com 22 fazendas em 7 estados do país, existem 4 vertentes de inovação que o mercado agro deverá seguir nos próximos anos.

Daqui há 10 anos, ou menos, a gente vai estar gerenciando a agricultura de uma forma completamente diferente! Uma das grandes vertentes de mudança será a de biológicos. Ou seja, reduzir o uso de produtos químicos por soluções biológicas, o que demandará muita pesquisa e desenvolvimento para isso ser de fato escalado, explica Logemann.

Na mesma toada de um campo mais ecológico, o mercado de carbono também ganhará espaço, projeta o gestor da SLC Agrícola. A empresa lançou no ano passado um Venture Capital para captar startups agro e buscar, entre outras vertentes, soluções para medir com mais precisão o sequestro de carbono das lavouras. 

Em médio prazo, a Internet das Coisas (IoT) também será um importante aliado para calcular o quanto de CO2 que as lavouras estão retendo, acrescenta. 

Logemann também cita a agricultura de hiper precisão e a tokenização nas relações comerciais como destaques do futuro agro.

Para além do desenvolvimento de novas tecnologias, uma mudança de mercado que tem se desenrolado (e deve imperar no futuro) é na forma como essas tecnologias chegam ao produtor.

Isso porque cada vez o produtor não compra a tecnologia, mas sim o serviço. Uma das expoentes dessa mudança comercial é a startup Arpac, que é membro da comunidade Caldeira!

A empresa desenvolve drones para aplicação localizada de pesticidas e geolocalização das lavouras, com foco no atendimento B2B.  Em 2021, a Arpac foi eleita a melhor fornecedora de tecnologia da Raízen, a maior produtora de cana de açúcar do mundo. 

Segundo o CEO da Arpac, Eduardo Goerl, a mudança do modelo comercial traz consigo o desafio da escalabilidade. “O Brasil é um país de território imenso e lavouras muito longe uma das outras. Então o desafio será conseguir atender toda a demanda”.