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Você sabia que é gaúcha a empresa responsável pela maior frota de aeronaves não tripuladas, os drones, para pulverização agrícola do Brasil? A Arpac, de Porto Alegre, já soma 30 aeronaves voando – 25 a mais desde o início de 2020. Desde 2017 no mercado, a startup tem aproveitado o cenário pujante do agronegócio gaúcho como pista de testes para ganhar novos mercados.

A oferta tem despertado o interesse dos clientes. A agtech desenvolveu um drone de pulverização que sobrevoa lavouras mapeando focos de infestação. Tudo começa com um voo de reconhecimento, momento em que o drone capta fotos de todo o campo. Uma solução de Inteligência Artificial ajuda a identificar as infestações. O operador faz a programação da rota de voo e, então, a aeronave não tripulada inicia a sua trajetória para executar a aplicação exata do herbicida.

Com a precisão de um sistema criado especificamente para o controle agrícola, a aeronave faz aplicações pontuais nas áreas afetadas – o drone tem uma precisão muito mais elevada do que um avião ou trator. E isso se reflete em uma redução de até 80% no uso de pesticidas. A assertividade na aplicação leva a ganhos econômicos, de eficiência e ao meio ambiente.

“Somos como uma companhia aérea na qual, para o passageiro, não importa o modelo do avião, mas a qualidade do serviço”, brinca Eduardo Goerl, fundador e CEO da Arpac. “Apoiamos o produtor rural a realizar o controle químico e biológico das lavouras, fornecendo dados e a gestão das áreas desse controle”, acrescenta.

Porém, assim como as companhias aéreas, para a Arpac importa muito ter domínio das aeronaves que fazem o serviço. Essa visão levou a startup a decidir atuar com uma frota própria, a maior de drones de pulverização do Brasil.

Para nós é muito importante ter um equipamento próprio, pois, assim, garantimos que ele esteja sempre disponível. A manutenção é feita do dia para noite e isso torna tudo muito mais barato. Quando o drone é importado, normalmente da China, o tempo de manutenção pode chegar a 20 dias. Então, essa é uma vantagem competitiva grande nossa”, destaca Goerl.

A startup já recebeu R$ 4 milhões em investimento e tem como meta para os próximos anos consolidar ainda mais essas parcerias e expandir a operação. Outro projeto em etapa final é a criação de uma plataforma de gestão que vai permitir o controle em tempo real dos produtores rurais pelo celular ou computador, sistema que hoje é feito diretamente entre empresa e clientes. Entre os parceiros dos ecossistemas de inovação está a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) e da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Pucrs). A startup está está presente no levantamento realizado pelo Instituto Caldeira e o Sebrae RS que traz as startups gaúchas para observarmos em 2021, por vertical de negócio

Comunicação com produtores é decisiva para avanço

O principal vetor para o crescimento das tecnologias no agronegócio é saber falar a linguagem dos produtores rurais e explicar com clareza os resultados da solução, aponta o CEO da Arpac, Eduardo Goerl.

Eu não acho que o agronegócio tem resistência à tecnologia. Pelo contrário, o mercado abraça o serviço quando entende os resultados. Então esse trabalho de comunicação é vital para o ecossistema”, aponta.

O foco da Arpac está em São Paulo e no Rio Grande do Sul, e assim deve continuar. Entre os clientes em São Paulo estão grandes produtores canavieiros, como a Raízen, maior produtora de cana de açúcar do mundo. A agtech também trabalha com lavouras de arroz no Rio Grande do Sul e outras culturas em menor escala também nos pampas.

“São mercados altamente potenciais e com um ecossistema mais consolidado. Um ambiente de inovação fértil no agronegócio é o que consegue traduzir as inovações aos produtores. E é isso que temos encontrado nessas regiões”, aponta.

Acidente pilotando avião marcou início da empresa

Eduardo Goerl começou a sua trajetória profissional como piloto de avião. Ele trabalhou dez anos no cockpit de um Airbus da Latam. Mas, nos primeiros anos de pilotagem, sofreu o trauma que início da vida de empreendedor.

“Eu tive um acidente sério quando trabalhava como instrutor de voos, em Bagé. Fiquei bastante tempo no hospital, mas depois de um tempo segui pilotando. Tempos depois, comprei um drone para tirar fotos e, foi então, que veio a ideia de criar uma empresa para ajudar as pessoas a não perderem a vida como eu quase perdi”, relembra.

Bate bola

Nome da startup: Arpac

Nome dos sócios: Eduardo Goerl e Enio Freitas

Estágio: Escala

Segmento: Agrícola

Número de colaboradores: 47

Investimento já recebido: R$ 4 milhões

Principal produto: Serviço de pulverização com drones