scroll

A arte só vai se transformar em algo novo se dialogar com as experimentações que estão acontecendo na sociedade. E isso passa, claro, pelo que está sendo criado nos ecossistemas de inovação mundo afora. O Brasil ainda incentiva muito pouco essas conexões, mas, o curador da 13ª Bienal do Mercosul, Marcello Dantas, quer contribuir  para acelerar essa mudança de visão aproximando a arte da tecnologia. “Temos muitas mentes inovadoras no mundo da arte despontando em Berlim, Filipinas, Estados Unidos e Tóquio, mas a sociedade brasileira ainda enfrenta dificuldades para quebrar esse manto. É com se ainda vivêssemos sob a percepção de que ‘toda inovação será castigada’. Precisamos mudar isso rapidamente”, aponta.

O caminho que ele encontrou para quebrar paradigmas foi fazer da Bienal do Mercosul de 2022, que acontece em setembro, uma edição inédita. A começar pela forma de atração dos artistas. As 20 propostas que integrarão a exposição Transe, parte da integrante do projeto que acontecerá no Instituto Caldeira, serão selecionadas por meio de uma chamada aberta, assim como acontece hoje com as empresas que buscam startups para se conectar.

Para isso ser possível, foi construída uma plataforma na qual os artistas poderão se habilitar para participar.

Essa será a nossa avenida de oportunidades para criarmos o novo. Vamos incentivar esse encontro entre inovação, arte, tecnologia e ciência em um amplo espectro das interdisciplinaridades”, comenta Dantas.

A única maneira de fazer isso acontecer, comenta, era buscando esses talentos de forma mais ampla. “Não podia me basear apenas no meu caderninho de telefones, tínhamos que olhar para frente e para quem ainda não conseguiu fazer parte desse movimento. A beleza da chamada aberta está em avaliar os projetos sem olhar as pessoas”, complementa.

A seleção será feita em três etapas: análise cega da proposta artística, análise de portfólio e entrevistas.  As inscrições poderão ser feitas pelo site da Bienal do Mercosul, até o dia 20 de julho. A divulgação dos selecionados será realizada no dia 22 de setembro.

Os projetos selecionados terão o acompanhamento do curador e dos curadores adjuntos e irão ocorrer em dois momentos: desenvolvimento do projeto e execução das propostas artísticas. Os escolhidos recebem ajuda de custo para fazer as obras – R$ 12 mil por artista e R$ 10 mil para obra –, os meios de produção e o espaço.

Além das mentorias, também será oferecido aos participantes um suporte técnico aos projetos, por meio de entidades parceiras, que colocarão à disposição dos artistas laboratórios, materiais e equipamentos. A isso se somará a formação teórica, que ajudará a embasar as pessoas a terem um pensamento crítico e reflexivo.

Para viabilizar essa novidade, mais um ineditismo. Foram construídas parcerias como as firmadas com o Tecnopuc e o Instituto Caldeira, que cederão seus espaços, laboratórios e mentores para ajudar nessa construção da arte a partir de tecnologias como Inteligência Artificial, robótica, impressão 3D, biotecnologia e novos materiais.

A presidente da 13ª Bienal do Mercosul, Carmen Ferrão, comenta que a Chamada Aberta e a Exposição Transe, realizada em parceria com o Instituto Caldeira, dará visibilidade para novos artistas, que poderão ter suas obras expostas na Bienal do Mercosul. “Buscamos fazer uma mostra inclusiva e muito disruptiva, trazendo essa fusão entre arte e tecnologia. E não teria um local mais apropriado que o Instituto Caldeira para receber a exposição Transe”, afirma.

Dantas exalta essa construção conjunta que está sendo desenhada.  “Existem muitas sinergias possíveis com o Caldeira e estamos identificado caso a caso. Esse convívio entre a área de inovação, o setor empresarial e a cultura é muito saudável, pois cria esse senso de realidade para as coisas”, comenta.

Segundo ele, assim como a arte inspira as pessoas a terem novas ideias no mundo, o senso de realidade do mundo corporativo é importante. “Essa aproximação entre o desenvolvimento criativo e o pragmatismo das startups, que precisam buscar resultado, é saudável para todo mundo. O barato do Instituto Caldeira é a fricção que ele gera entre todos esses mundos”, aponta Dantas.

O ano de 2020 foi um período para pivotarmos essa relação entre o humano com as tecnologias, que passaram a ser protagonistas no nosso trabalho, na forma de estudar e de se relacionar, aponta o curador da 13ª Bienal do Mercosul. “Isso tudo aconteceu nos últimos 12 meses e é óbvio que terá consequência na nossa criatividade, na nossa forma de expressão.

Precisamos inventar um novo tempo tendo a arte e as novas tecnologias como aliadas para desafiarmos a virarmos seres humanos melhores”, conclui.