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Há oito anos, a empresária Carmen Ferrão estava em uma imersão no Vale do Silício, nos Estados Unidos, e lá todos já falavam na importância da cultura da inovação. Hoje, em pleno cenário de transformações exigidas pela pandemia da Covid-19, esse tema está mais atual e urgente do que nunca. Criatividade e inovação, aliás, se alinham perfeitamente com temas como moda e arte, que fazem parte da rotina da sócia superintendente do Grupo Lins Ferrão e presidente da Fundação Bienal do Mercosul, gestão 2020/2022. “O mundo nos mostra que em grandes tragédias da humanidade a arte veio depois com todo seu vigor, como um acalento e um turbilhão de criatividade”, destaca a executiva. 

Carmen começou a carreira na Lojas Pompéia. Frequentou a escola Disney University Professional Development Programs, em Orlando, e concluiu o Programa de Gestão Avançada, na França. Foi a fundadora da Associação dos Jovens Empresários do Rio Grande do Sul e vice-presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Porto Alegre. É autora do livro “Em Busca da Emoção – O Sentimento Transforma o Marketing Nessa Passagem de Século”. 

Atualmente, divide a sua rotina entre os planejamentos das marcas Pompéia e Gang e as aulas de golfe e piano. “Sou apaixonada pelo tema da inovação e estamos ansiosos para 2021, quando iremos ocupar um espaço no Instituto Caldeira”, projeta.

Instituto Caldeira – Como essa união de temas como cultura, criatividade e inovação pode ajudar o varejo a manter o ritmo das transformações e acelerar em 2021?

Carmen Ferrão – Vivemos um novo momento, em que precisamos nos adaptar, olhar para frente e engajar as pessoas em um espírito positivo. No varejo, ter curiosidade e estar alerta para as coisas novas passa muito por criarmos essa conexão de moda com a cultura, a arte e a inovação. Só assim teremos empresas longevas e atuais. Em toda minha história empresarial, sempre entendi que o envolvimento com a cultura agrega muito valor para as marcas. A pandemia acelerou tudo que se falava sobre transformação digital e mostrou que avançar neste mundo desafiador só é possível se tivermos uma cultura da inovação nas corporações. 

Instituto Caldeira – Quais foram as principais ações do Grupo Lins Ferrão para avançar mesmo na crise?

Carmen Ferrão – O ano de 2020 vai ficar marcado na história de todos. Muitas ideias e iniciativas novas foram geradas em um curto espaço de tempo. Projetos que estavam no nosso planejamento de longo prazo tiveram que vir para o início da fila. Foi um momento em que vimos a importância de as empresas já estarem, nos últimos anos, investindo em um e-commerce estruturado. Nós estávamos neste processo há algum tempo. O Grupo Lins Ferrão já tinha o e-commerce na Pompéia e na Gang mas, até então, a prioridade era a loja física. Com a pandemia, rapidamente, a gente conseguiu ampliar esse pensamento e entender que nunca mais voltaríamos a ser como era antes. Fizemos várias ativações no e-commerce e desenvolvemos um projeto para levar a loja para dentro da casa do cliente. As pessoas passaram a receber os produtos, escolher e devolver no outro dia. A moda tem muito isso. Ver o produto, despertar desejo e tentar tornar essa experiência incrível.

Instituto Caldeira – Em 2021, Grupo Lins Ferrão estará no Instituto Caldeira. Como está a expectativa para esse momento? 

Carmen Ferrão – Somos um dos fundadores do Instituto Caldeira e estamos ansiosos para ver o nosso espaço neste ambiente, que é muito rico e cheio de propósito. A expectativa é que a nossa sede no local possa gerar interação com as nossas operações, como da Lojas Pompéia e Gang, com outras marcas e profissionais. Estar lá dentro, respirar o ar do Instituto Caldeira vai trazer um grande ganho para os nossos negócios, especialmente para as nossas áreas de tecnologia e marketing. Queremos unir vários segmentos para enxergarmos e podermos vivenciar todos juntos, a mesma evolução para o Rio Grande do Sul.

Instituto Caldeira – Como surgiu a ideia de ocupar espaços do Caldeira com a Bienal do Mercosul?

Carmen – Logo que comecei a pensar a Bienal do Mercosul 2022, vi que deveríamos agregar novas possibilidades, indo além das instalações convencionais, como nos museus. Um dos espaços que me veio à mente foi o Instituto Caldeira. Liguei sábado à noite para o Pedro Valério (CEO do Caldeira) e já cheguei pedindo: não me diz que não (conta, aos risos). Apresentei a ideia de usarmos o espaço do Caldeira para a realização da Bienal, unindo arte e inovação. Ele topou na hora. O Marcello Dantas, curador da Bienal, também achou genial a ideia e, inclusive, já conheceu o espaço. Durante seis meses, teremos 25 artistas criando dentro do Instituto Caldeira. Eles vão poder produzir as obras de arte lá, sendo abastecidos de matéria-prima para as obras e podendo usar os Labs de inovação. O Instituto Caldeira é um projeto que envolve arquitetura, pois está instalado em um espaço reconstituído e que traz uma riqueza enorme para o bairro onde está instalado. Tem capacidade de absorver muitos eventos culturais e a sede das empresas inovadoras, espaços que vão gerar muitas oportunidades.