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Por que não tornar a tecnologia uma aliada do paciente com câncer? Foi esse questionamento, que surgiu na mente da médica Alessandra Morelle durante uma imersão no Vale do Silício (EUA), em 2017, que deu origem a uma das healthtechs gaúchas mais promissoras, a Tummi.  O aplicativo, que registra e organiza os eventos do dia a dia do paciente e disponibiliza relatórios em tempo real a clínicas e médicos, tem como propósito melhorar a qualidade de vida e facilitar o monitoramento de muitos pacientes diagnosticados com câncer.

“A Tummi, cujo nome deriva do deus inca da medicina, nasceu da minha percepção do quanto os pacientes oncológicos sofrem com a insegurança e o medo diante do diagnóstico e tratamento. Resolvemos usar a tecnologia para apoiá-los”, revela a cofundadora e CEO da healthtechs, que tem ao seu lado neste projeto Carlos Barrios. A startup tem como sócios ainda Ronaldo Aloise Jr e Carlos Eurico Pereira.

Ela conta que, de volta ao Brasil, logo procurou o seu mentor, o médico Barrios, com a proposta de criar uma plataforma digital que pudesse avaliar as necessidades dos pacientes com rapidez e segurança. A startup foi criada e, logo em seguida, iniciou o desenvolvimento de um algoritmo de avaliação capaz de se aperfeiçoar na medida em que mais e mais usuários inserem os dados sobre suas preferências e rotinas de saúde.

Por meio deste algoritmo de orientação médica imediata, a ferramenta permite a identificação precoce de riscos de eventos graves, reduzindo as visitas às emergências e internações hospitalares desnecessárias ao paciente. Algo que se tornou ainda mais fundamental neste período da pandemia da Covid-19”, destaca a especialista.

O aperfeiçoamento desse sistema vai passar, ainda este ano, por um grande estudo clínico, baseado em Machine Learning, e um processo de aceleração junto à empresa Velocity TX, em San Antonio, Texas (EUA).

Idealizado para empoderar o paciente oncológico no controle de seu próprio tratamento e auxiliar na diminuição dos riscos do processo, o Tummi atualmente oferece calendário de exames e consultas, lista de medicamentos, diário de sintomas e o algoritmo de risco (que avisa em caso de emergência), além de uma série de conteúdos sobre hábitos saudáveis.

Para as clínicas, o diferencial está em permitir que os registros de pacientes cheguem de forma rápida e atualizada, em tempo real, facilitando o monitoramento de possíveis progressões da doença.

A pandemia acelerou a velocidade

A pandemia, sem dúvida, acelerou a velocidade com que as healthtechs estavam sendo inseridas no mercado e o processo de aceitação entre instituições tradicionais e startups. Essa percepção está de acordo com os dados do HealthTech Report 2020, realizado pelo Distrito Dataminer, o qual aponta um crescimento de 118% no número de startups de saúde no Brasil.

O movimento não é diferente no Rio Grande do Sul, que vem se destacando cada vez mais no ecossistema de startups do País. “Vejo que houve uma corrida para a abertura de vários espaços. Todos querem mostrar que estão inovando e estão de olho nesta indústria. Acredito que, ao longo do tempo, o mercado vai se ajustar pela qualidade dos programas que estes espaços oferecem”, ressalta a CEO, Alessandra Morelle.

Nessa aceleração criada pela pandemia do vírus Sars-CoV-2, os grandes movimentos de colaboração entre instituições também foram essenciais para a rápida redução das fronteiras mais tradicionais e burocráticas. No caso da Tummi, a startup destaca a oportunidade de incubação da Anprotec com o Imperial College of London.

Com  uma longa experiência como médica assistente de pacientes oncológicos, a empreendedora relata que os maiores desafios desta jornada são as adversidades diárias, como lidar com as inseguranças da profissão e com a necessidade de manter um time motivado, mesmo com os contratempos do mercado.

“Minha sorte é ter uma equipe que se complementa. Ouvir a opinião dos meus sócios foi fundamental para me preservar de algumas armadilhas” ressalta.

Indicada como uma das healthtechs de maior relevância no levantamento realizado pelo Instituto Caldeira e o Sebrae RS para fomentar a inovação e o empreendedorismo no Estado, a empresa segue com planos de crescimento.

Fico muito feliz e agradecida pelas oportunidades que tem surgido para a Tummi. O dia a dia do empreendedor não tem glamour nenhum. É muito trabalho, muita dedicação e foco. Persistência é a palavra que nos define e vamos onde for preciso para que os pacientes com câncer recebam o tratamento e o carinho que merecem” conclui.

Na foto, Ronaldo Aloise Jr, Alessandra Morelle, Carlos Barrios e Carlos Eurico Pereira, sócios da Tummi

Raio X:

Nome: Tummi

Sócios: Alessandra Morelle, Carlos Barrios, Ronaldo Aloise Jr, Carlos Eurico Pereira

Estágio: Go to Market

Segmento: Healthtech

Número de Colaboradores: 8

Investimento: R$ 400 mil (feito pelos sócios)

Principal Produto: App Tummi