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O ecossistema de inovação no Brasil tem se provado cada vez mais sólido e fértil quando o assunto é desenvolver empresas disruptivas e levar suas soluções para mais pessoas. As startups seguem no foco dos investidores. Só em janeiro deste ano já foram levantados US$ 591 milhões aportados em startups brasileiras, o que ocorreu ao longo de 48 rodadas, sendo 32 delas em early stage e outras 16 em late stage. Os números estão na mais recente edição do Inside Venture Capital Report, relatório mensal do Distrito, com o apoio do Bexs.

O resultado, embora seja 27% inferior ao de janeiro do ano passado, que bateu um recorde para o período após o Nubank captar uma rodada de série G de US$ 400 milhões, é bem positivo, avalia o CEO da Distrito, Gustavo Gierun.

O fato de o valor ser menor não significa que o mercado está desaquecendo: fevereiro, abril, julho e setembro do ano passado, por exemplo, viram aportes mais baixos do que agora”, analisa.

Vale lembrar que o ano de 2021 foi marcado por um recorde histórico de aportes em startups. No mundo, foram US$ 621 bilhões, mais do que o dobro do ano anterior. No Brasil, US$ 9,4 bilhões em 2021, um total de 779 transações. Os dados do Rio Grande do Sul também foram representativos, e fazem parte da RS Tech 2021, realizado em uma parceria da Distrito com o Instituto Caldeira.

Os investimentos, além de aumentar o poder escalabilidade de startups em fases iniciais, também têm gerado um recorde de novos unicórnios com selo nacional, termo usado para empresas avaliadas a partir de R$ 1 bilhão.

O ano passado também é maior em número de novos unicórnios no Brasil. Dez  empresas atingiram o status em 2021 – C6, Cloudwalk, MadeiraMadeira, Mercado Bitcoin, Unico, Hotmart, Frete.com, Olist, Merama e Facily.

Para este ano, a expectativa continua alta e outras 14 empresas estão no páreo, além de mais sete para 2023, aponta o estudo “Corrida dos Unicórnios”, também produzido pela Distrito.

E Brasil já tem seu primeiro unicórnio neste ano: a fintech Neon, que recebeu um aporte de US$ 300 milhões, atingindo a avaliação bilionária.

Fundos de venture capital, empresas e scale-ups já consolidadas estão investindo cada vez mais em startups, entendendo que esse é um bom caminho para o crescimento. Mesmo setores tradicionais, como educação e saúde, estão se abrindo mais para soluções tecnológicas e se digitalizando”, analisa o gestor.

 Fusões e aquisições

 Segundo mostra a mais recente edição do Inside Venture Capital Report, janeiro de 2022 foi o maior em número de M&As (Mergers and Acquisitions) da série histórica, com 20 fusões e aquisições no mês.

Entre os movimentos, o destaque fica para a compra da Stilingue pela Take Blip; da Inovamind pela Totvs; e da Projuris pela Softplan.

O número de M&As é um indicativo de que esse movimento continuará para o resto do ano e que o ecossistema possivelmente alcançará novos recordes”, projeta o CEO do Distrito.

Os queridinhos dos investidores

Neste início de 2022, repetindo o padrão de outros anos, o setor que concentrou a maior parte dos investimentos foi o de fintechs, que recebeu ao todo US$ 319,2 milhões, sendo a maior parte do volume, US$ 260 milhões, captada pela Creditas.

Os demais setores na ranking dos maiores investimentos foram o Real Estate (US$ 33,7 milhões), SportTech (US$ 32,6 milhões), RetailTech (US$ 22,4 milhões) e HealthTech (US$ 10,9 milhões).

No entanto, outra vertical em ascensão é a de empresas com foco em SaaS (software as a service), ou seja, startups que trazem soluções tecnológicas na nuvem (cloud-based). Em 2021, os investimentos na modalidade somaram US$ 3,8 bilhões em 2021, o que representa 48% dos aportes no ano.

Serviços financeiros e varejo seguem liderando a lista, mas vemos um crescimento interessante de outras áreas. Isso demonstra um amadurecimento do mercado, que enxerga oportunidades em várias frentes, e das startups brasileiras, que vem conquistando mais a confiança dos investidores”, afirma Gierun.