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Reconhecido globalmente pela pujança do agronegócio, um verdadeiro motor do crescimento econômico, mesmo em cenários de crise, o Brasil tem atualmente 1.125 startups atuando para ajudar a transformar digitalmente o campo. Os dados são do “Radar AgTech Brasil 2019”, estudo desenvolvido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em conjunto com o fundo de investimento SP Ventures e a consultoria Homo Ludens.

Uma dessas empresas é a gaúcha Aegro, que desenvolveu um software de gestão agrícola para o setor e hoje está presente em mais de 4,7 mil fazendas, com cerca de 5 mil usuários. Além da gestão financeira, a solução auxilia no planejamento da safra, controle de estoque,  gerenciamento do maquinário e cruzamento de dados que possibilitam indicadores da propriedade, entre outras facilidades. 

A startup é uma das 35 startups que devem fazer a diferença em 2021, conforme projeção divulgada recentemente pelo Instituto Caldeira e pelo Sebrae RS. “Ficamos honrados com esse anúncio e sabemos que isso é consequência do nosso foco ininterrupto em ajudar a evoluir a agricultura no Brasil”, afirma o cofundador e CEO da Aegro, Pedro Dusso. 

Queremos transformar a Aegro na maior plataforma de gestão do agronegócio brasileiro – Pedro Dusso, CEO da Aegro

O Aegro nasceu na incubadora do Instituto de Informática da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) com o propósito de digitalizar o controle do manejo agrícola. Ao longo do seu desenvolvimento, passou também a atuar na gestão financeira das fazendas, unindo a rotina da lavoura e o controle sobre os investimentos por meio do seu principal produto: o aplicativo para gestão rural. Atualmente, além de integrar outros aplicativos no software Aegro, oferece outros serviços para o setor agrícola, como consultorias, seguros, crédito, entre outros.  

“Aos poucos, vamos transformando o Aegro na maior plataforma de gestão e controle do agronegócio brasileiro, um verdadeiro sistema operacional para a agricultura”, destaca Dusso, que compartilha dessa missão com os sócios Thomas Rodrigues, Francisco de Borja e Paulo Silvestrin. 

Os desafios das agtechs

Em 2018, conforme o estudo da Embrapa, as 1.125 agtechs do País receberam um total de US$ 80 milhões em investimentos, quatro vezes o registrado no ano anterior, o que demonstra sinais consistentes de crescimento. Só o Aegro, que se encontra em nível scale-up, recebeu um total de R$ 7 milhões nos últimos anos. 

Mas, é preciso avaliar com calma a evolução deste mercado. “Eu não diria que vivemos uma era de ouro para as agtechs, até para não criar expectativas desnecessárias. A agricultura é um negócio de longo prazo e assim deve ser o pensamento dos empreendedores que decidem explorar esse mercado”, pondera o CEO da Aegro.  

 

Segundo o empreendedor, um dos principais desafios das agtechs está na criação de um canal de vendas sustentável, que tenha um custo de aquisição compatível com a quantia a ser cobrada pela entrega de valor do produto. Assim, o sucesso neste segmento passa por estar próximo ao cliente, o que acaba, ao mesmo tempo, sendo um obstáculo em um país continental.

“Só a larga escala traz retornos para os negócios digitais. Essa é uma questão crítica”, diz. Além disso, Dusso menciona o fato do setor estar localizado longe dos centros urbanos, o que gera dificuldades para encontrar talentos que entendam de agricultura, problema que vem sendo mitigado pela popularização do trabalho remoto e a possibilidade de contar com colaboradores de regiões rurais. 

Digitalização em todas as etapas

O foco da maior parte das startups do setor agronegócios (47%), segundo o Radar AgTech Brasil 2019, está na criação de tecnologias para a pós-produção agropecuária, como armazenamento de alimentos, logística de transporte, sistemas de embalagem e segurança alimentar. Já cerca de 35% têm como ponto central o desenvolvimento de soluções para atividades dentro das propriedades e 18% são startups com atuação antes das fazendas, como as dedicadas à genômica, biotecnologia e nutrição animal. 

Dusso destaca que, o fato do agronegócio ser mais digital no escritório e menos no campo, e da digitalização estar mais presente nas empresas agrícolas e menos nas propriedades familiares é algo que precisa ser transformado aos poucos. “No Aegro, buscamos resolver ambos os problemas, levando tecnologia móvel que funciona sem internet para diversos tipos de profissionais no campo e ajudando produtores familiares a digitalizar a gestão do seu negócio pela primeira vez”, pontua. 

Novas gerações serão decisivas para o setor 

O agronegócio é um setor da economia brasileira que vem resistindo às últimas crises econômicas, apresentando, inclusive, resultados positivos durante a pandemia. O CEO da Aegro prevê que os mais jovens que chegam ao setor terão a grande responsabilidade de suceder a geração que transformou o Brasil em uma das maiores potências agrícolas do mundo. O desafio, segundo ele, será o de se sair bem em um ambiente de otimizações, onde é fundamental ser mais eficiente, agregar valor aos produtos, olhar outros mercados e diversificar.  

“Esses jovens terão o privilégio de enxergar mais longe por estarem sobre os ombros de gigantes, mas terão que caminhar com seus próprios pés para chegar lá”, afirma. E a inovação, é claro, terá um papel cada vez mais importante no agronegócio. “A agricultura é um setor que inova há bastante tempo. São décadas de novas tecnologias que multiplicaram a produtividade dos nossos sistemas agrícolas com apenas um ligeiro aumento de área plantada”, conclui.  

Raio-X

Nome da startup: Aegro

Nome dos sócios: Pedro Dusso, Thomas Rodrigues, Francisco de Borja, Paulo Silvestrin

Estágio: Scaleup

Segmento: Agricultura

Número de colaboradores: 73

Investimento já recebido: R$ 7 milhões

Principal produto: Aegro, aplicativo para gestão rural