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Desenvolvimento, gestão, arte e inovação sempre foram temas muito presentes no discurso e nas ações do empresário Jorge Gerdau Johannpeter. Ao longo da sua história, já foi eleito o líder mais influente e o de melhor reputação do Brasil, e uma referência global pela sua forte atuação na busca pela eficiência e qualidade da gestão nos setores público e privado.

Foi o fundador do Programa Gaúcho da Qualidade e Produtividade e do Movimento Brasil Competitivo. Presidiu por 10 anos o Conselho de Governança do movimento Todos pela Educação e o Conselho da Fundação Iberê Camargo.

Liderou durante anos, esteve à frente do Grupo Gerdau que, em 2020, mesmo com os efeitos adversos da pandemia de Covid-19, a maior empresa brasileira produtora de aço (e uma das maiores do mundo) registrou um lucro líquido de R$ 2,4 bilhões e um Ebtida ajustado de R$ 7,7 bilhões. A empresa, inclusive, é uma das fundadoras do Instituto Caldeira e Jorge Gerdau costuma participar das discussões que acontecem em torno do hub de inovação.

Hoje, um pouco mais distante do dia a dia da Gerdau, defende que o apoio da sociedade civil, união do empresariado e um melhor uso da máquina pública são alguns dos pilares fundamentais para que o País retome o caminho do desenvolvimento. Confira os principais pontos desta conversa exclusiva para o Instituto Caldeira com essa grande liderança empresarial.

Instituto Caldeira – Como você enxerga o Rio Grande do Sul no cenário econômico atual e desses novos ambientes de inovação que estão surgindo, como o Instituto Caldeira?

Jorge Gerdau – Dentro do cenário mundial e brasileiro, a economia está em um processo de modificação extremamente dinâmico com as novas tecnologias. De certo modo, isso tem sido percebido pela comunidade rio-grandense. Um aspecto interessante é de que como o Rio Grande do Sul está mais distante do centro econômico de São Paulo, a seleção de tipos de atividades que temos é mais completa. Temos também material humano de boa qualidade, além de educação básica e cultural forte. Ou seja, temos condições muito boas para as oportunidades que estão sendo construídas.

O empresariado gaúcho percebeu que, para vencer estes novos desafios, é necessário se unir. A boa liderança tem sensibilidade para perceber, orientar, mostrar o caminho e motivar a sua equipe. O Instituto Caldeira reuniu um grupo de empresários que colocou a sua sensibilidade e experiência para surfar a onda certa. Iniciativas como o Caldeira são muito importantes para mobilizar esses atores e abrir possibilidades de novos caminhos.

Instituto Caldeira – Na sua visão, quais são os novos caminhos para o desenvolvimento?

Jorge Gerdau – As modificações estruturais do País devem passar essencialmente pelo processo político. Os grupos empresariais perceberam que não se uniram no passado, e agora trabalham para revitalizar, modernizar e criar novas estratégias de desenvolvimento. Para isso acontecer, procuram mobilizar a área política. Mas, sem pressão da sociedade civil nada se modifica.

É preciso criar uma cultura coletiva para que a sociedade civil leve ao mundo político essa nova visão. Estou esperançoso que esse tipo de movimento possa nos ajudar muito no desenvolvimento do País.

Existe uma inovação de lideranças acontecendo, e isso é muito necessária para as mudanças que precisamos fazer. O mundo está correndo em alta velocidade e estamos perdendo espaço. O Caldeira possui um propósito muito bem definido e está no rumo certo. A mobilização econômica e o caminho buscado pelo Caldeira são exemplos para encararmos os desafios atuais.

Instituto Caldeira – Em que tipos de iniciativas podemos nos inspirar para essa mudança?

Jorge Gerdau – Com o supercrescimento do estado, temos custos muito altos e as tecnologias serão os únicos mecanismos para melhorarmos esse custo. Temos uma demanda social enorme no País e essa demanda só pode ser resolvida com o crescimento econômico.

A angústia de resolver problemas sociais cria a tendência de buscar mais encargos, o que deixa a economia estagnada. Temos que nos inspirar em exemplos como a Índia e a Coreia do Sul. Ter uma renda per capita semelhante à de Portugal.  Estamos com o PIB baixíssimo. A solução está no crescimento econômico. Sem ele, não geramos emprego. Basta olhar os países que estão dando certo. Com novas tecnologias, podemos dar pulos, diminuir o custo da máquina estatal e avançar.