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Economista e conselheiro de importantes empresas como Gerdau, Agibank e Grupo Vibra, Aod compartilhou conosco sua visão sobre o atual contexto e sua percepção sobre o papel das lideranças e do Estado neste contexto.

Na perspectiva de conselheiro, traz a importância do papel inspiracional do líder, além de um equilíbrio saudável entre gestão financeira e a agenda de inovação. Nos relembra que crises são sempre momentos de oportunidades.

Sobre o papel do Estado, salienta a importância no apoio e na articulação para a criação de um ambiente de negócio mais propício a inovação e ao desenvolvimento econômico.

Aod é um dos idealizadores do Instituto Caldeira e diretamente responsável pela articulação entre a iniciativa privada, as universidades e o poder público para a viabilização do projeto.

Em entrevistas recentes, você tem reiterado a gravidade e a complexidade da crise econômica que viveremos nos próximos meses. Qual a relevância de uma agenda de inovação dentro deste contexto?

“Eu tenho destacado que estamos vivendo mais uma crise. Isto é, não será nem a primeira, nem a última que enfrentaremos. Evidentemente, ela tem uma intensidade muito forte, é mais prolongada e efetivamente muito vigorosa. Mas vai terminar. E, como o mundo já experimentou em décadas anteriores, assim como o Brasil, ao final dessa crise haverá um outro ciclo de crescimento, seja ele mais ou menos intenso, o fato é que voltaremos a gerar riqueza e prosperidade.

Ao longo de uma crise como a que estamos enfrentando, é muito importante termos uma capacidade de gestão financeira, de foco nessa travessia, mas também mantermos um olhar para as oportunidades. Toda crise gera oportunidade. Seja ela de desenvolvimento de novos negócios, de aquisições ou de uma nova forma de atender seus clientes. Nesse caso a inovação é um tema muito importante, porque é muito relevante a capacidade de inovar na gestão e de compreender como o mercado e seus concorrentes estão avançando nesse tema.

É justamente na crise que a capacidade de inovação tem um valor maior.

Há, sim, espaço, embora exija muita disciplina, já que, muitas vezes, a energia está voltada para a gestão do dia-a-dia e para gestão financeira. Embora de fato sejam prioridades, é importante ter a disciplina para olhar oportunidades e ter a capacidade de inovar em momentos como este.”

Como conselheiro de empresas importantes no cenário brasileiro, como as lideranças devem responder aos desafios que surgem no horizonte?

“Eu acredito que as lideranças empresariais têm um papel acentuado em um período de crise como este. Elas precisam passar uma mensagem positiva para seus times, clientes e stakeholders de uma maneira geral, e isso requer muita resiliência.

O líder tem, mais do que nunca, um papel inspiracional.

Precisa estar mergulhado nas soluções, estar debruçado no dia-a-dia da empresa, mas acima de tudo, motivar e gerar inspiração ao liderar seus times. Além disso, precisa saber se comunicar muito bem com stakeholders, isto é, clientes, fornecedores e a comunidade que ele atua, de forma geral.”

Com a experiência de ex-Secretário da Fazenda, qual o papel do Estado na atração de empresas e iniciativas inovadoras?

“Eu tenho uma visão liberal sobre economia, Estado e sobre costumes, em linhas gerais. Falando sobre economia, atração de investimentos e desenvolvimento mais especificamente, acredito que a principal forma de um Estado cumprir seu papel nessa visão, é provendo aos indivíduos um acesso justo ao desenvolvimento das capacitações humanas. Ou seja, uma boa educação, uma boa saúde e a segurança mínima. Sendo assim, independente se o indivíduo nasceu em uma família rica ou pobre, ele deve ter a oportunidade de se desenvolver, se capacitar, tendo acesso a uma boa educação e uma boa saúde.

Isso faz com que as sociedades que valorizam a meritocracia prosperem mais.

Além disso, é claro que há um papel de articulação e cooperação do Estado entre empresas e universidades para se gerar um ecossistema mais propício ao desenvolvimento econômico, a atração de empresas, assim como na esfera da inovação. Há, sim, o papel de construir esse ambiente melhor, a fim de que nasçam mais empresas, que o contexto se torne mais frutífero e que haja mais diálogo entre diferentes atores. Nesse sentido, o papel do Estado é muito relevante.

Lembrando que, se você não tem um nível de educação mínimo, nem o estímulo ao desenvolvimento das capacitações humanas, seja de empreendedores ou indivíduos de forma geral, fica muito difícil construir uma massa de capital humano que propicie a uma região ou um estado, a possibilidade de se tornar um polo de inovação. E aqui há um papel claro do Estado.”

Qual o papel de instituições como Caldeira no fomento de uma cultura de inovação no RS?

 O Instituto Caldeira é um marco que transcende a área da inovação. Vai além. É um estímulo às iniciativas, ao engajamento não somente do empreendedor local, mas para todos aqueles que olham para a inovação de forma tão relevante no Estado.

Como a própria pergunta já provoca, o Instituto estimula a cultura da inovação, e do empreendedorismo.

Uma iniciativa que além de fomentar ideias, possui um marco físico, o que é um grande símbolo. Ele mostra o que é capaz de se fazer quando se reúne empreendedores e pessoas com boas ideias e também como a inovação pode surgir também de uma forma associativa e baseada na cooperação entre lideranças empresariais, universidades e poder público.

Temos aqui uma direção moderna de fazer com que a cidade de Porto Alegre e o Rio Grande do Sul, olhem para a inovação como um eixo relevante de manutenção e retenção de talentos e empresas. É um movimento moderno, novo e alinhado com as vocações e oportunidades que existem no nosso Estado.