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Levar a fazenda do futuro para o presente. Esta tem sido a missão da CowMed, startup que monitora a reprodução, a saúde e a nutrição do gado leiteiro. A empresa conta atualmente com mais de 20 mil animais em monitoramento e já se faz presente em cerca de 200 fazendas, em estados como Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Bahia.

Queremos chegar ao maior número de propriedades possíveis no mundo. A nossa ideia é continuar crescendo e expandir para outros países, levando tecnologia para quem não tem e facilitando a vida dos produtores nos pequenos detalhes”, declara o sócio fundador da agtech, Leonardo Martins.

Tudo começou com um projeto de faculdade no ano de 2011, na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Os irmãos Leonardo e Thiago Martins, que na época eram alunos dos cursos de engenharia elétrica e engenharia mecânica, respectivamente, viram potencial na ideia para se tornar um negócio. Eles criaram a Chip Inside Tecnologia, voltada para a produção e venda de coleiras de monitoramento animal. “Vimos que a pecuária digital iria estourar ali na frente e queríamos fazer parte desse processo”, recorda Leonardo.

O pioneirismo da iniciativa, porém, não foi o suficiente para que o empreendimento emplacasse logo de cara. Em 2015, quando de fato entraram no mercado, os empreendedores tiveram dificuldade de vender a tecnologia até que – de modo inusitado – surgiu a ideia de mudar o modelo de negócio.

Durante o acompanhamento de um de seus poucos clientes da época, com propriedade no Uruguai, Leonardo constatou que duas vacas do produtor estavam com baixa ruminação e resolveu alertá-lo. O diagnóstico foi confirmado pelo fazendeiro. Pouco tempo depois, o produtor uruguaio confidenciou a colegas a surpresa de que alguém do Brasil havia constatado que os seus animais estavam doentes, antes dele próprio, que convivia com os animais diariamente.

“Foi aí que nos demos conta que não tínhamos que vender um produto, mas prestar um serviço”, lembra o sócio da startup. Com o novo modelo de negócio, a empresa mudou de nome para CowMed e passou a ser uma espécie de plano de saúde da vaca, que permite ao produtor saber,  a todo momento, sobre o estado de saúde de seus animais.

Ao invés de vender as coleiras, a CowMed começou a oferecer a análise remota do rebanho medindo, por exemplo, o tempo de ruminação, atividade e ócio do animal. Em casos de identificação do cio, problema de saúde ou mesmo alterações nutricionais, o produtor recebe alertas por meio do software e aplicativo da startup.

Brincamos que o monitoramento da CowMed é como se o médico ligasse para você meio dia e falasse para ir ao hospital às 16h, porque provavelmente terá algum problema mais grave”, exemplifica Leonardo.

O novo modelo vingou e colocou a agtech no patamar de maior empresa de monitoramento animal do Brasil. “Neste último ano, fomos para o Paraguai, Canadá e Estados Unidos e seguimos a passos largos para outros países para expandir cada vez mais o nosso trabalho”, celebra.

Momento de ouro para as agtechs

Conforme o Radar Agtech Brasil 2020/2021, elaborado em parceria entre Embrapa, SP Ventures e Homo Ludens Research and Consulting, há no Brasil 1.574 startups atuando no agronegócio. Isso significa que, mesmo em um ano de pandemia, o número de agtechs ativas foi 40% maior em relação a 2019.

A aceleração da inovação no setor é comemorada pelo sócio da CowMed. “Nunca vivemos uma fase de tantos investimentos em startups do agronegócio. Isso só reflete a importância que o agro tem para o Brasil como um grande fornecedor de alimentos para o mundo”, constata.

Segundo Leonardo, uma das explicações para esse crescimento se deve ao processo de transição de gerações no comando das fazendas. “A geração que está entrando é mais tecnológica, mais moderna e sabem da importância de trabalhar com dados. Antigamente, os pais olhavam para os filhos e queriam que eles estudassem para sair do campo. Hoje, a visão é de que eles estudem para que possam voltar ao campo”, analisa.

Aproximação com as gigantes

Outro fator determinante para a digitalização do campo foi a constatação das gigantes do setor sobre a importância de tecnologias disruptivas para seguir crescendo e gerando lucro. A partir disso, parcerias com startups com foco no agronegócio passaram a ser mais comuns.

Leonardo vê essa aproximação como uma evolução natural do setor, mas deixa um ponto de atenção para que os empreendedores das startups não deixem de lado o propósito que sustentou a criação de seus negócios. “Não podemos esquecer onde queremos chegar e qual o nosso objetivo final”, defende.

A CowMed é mais uma empresa presente no  levantamento realizado pelo Instituto Caldeira e o Sebrae RS , que lista startups que vêm se destacando em seus setores e com maior potencial para fazer a diferença em 2021.

Foto: Ananda Zanini

Raio-X

Nome da startup: CowMed

Nome dos sócios: Leonardo e Thiago Martins

Estágio: Escala

Segmento: Pecuária digital

Número de colaboradores: 40

Investimento já recebido: R$ 9 milhões

Principal produto: Coleira de monitoramento animal