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Já faz tempo que o Grupo Dimed, proprietário da rede de farmácias Panvel, é uma referência pela aposta na tecnologia e na geração de experiências diferenciadas aos seus clientes. A rede possui a maior participação das vendas pelos canais digitas de todo o varejo farma nacional. Na Panvel, quem escolhe como interagir com a marca é o cliente. Ele pode ir a uma das mais de 475 lojas nos três estados da região Sul e SP, comprar pelo site ou app e ainda optar por receber suas compras em casa, buscá-las nas lojas – na modalidade clique e retire – ou ainda em lockers espalhados em pontos estratégicos das capitais. “Esses canais estão cumprindo um importante papel na pandemia de atender aos clientes de forma eficiente e com o melhor tempo de entrega do varejo farma brasileiro, resultado de um investimento no digital que já vem de muito tempo e que tornou a Panvel benchmark no setor”, avalia o presidente do Grupo Dimed, Julio Ricardo Mottin Neto.

Sem falar na evolução do mix de produtos e serviços. Do simples foco na venda de medicamentos, como acontecia lá nos primórdios, pouco restou. Quem entra em uma loja da marca hoje em dia tem cada vez mais a sensação, guardadas as devidas proporções, de estar em um ambiente como da Walgreens ou CVS, nos Estados Unidos. Nestas redes gigantes, o mix de produtos é surpreendente. As pessoas vão até essas lojas para comprar produtos de beleza, alimentos, receber atendimento médico e, claro, adquirir remédios. Para 2021, a companhia vai dar outro passo gigante: a criação de um marketplace voltado à saúde e ao bem estar, que vai ampliar de forma exponencial a diversidade de produtos oferecidos: de 15 mil para 50 mil até o final do ano. “Já estamos presentes em plataformas de entrega de produtos, como Rappi, mas com a nossa própria vamos oferecer uma solução muito mais completa e direcionada para pessoas que buscam saúde, bem estar e qualidade de vidar”, conta o executivo. Passos na direção do futuro que serão potencializados agora que a rede de farmácias vai se instalar no Instituto Caldeira, do qual é um dos fundadores. “Vemos como essencial participar e colaborar para esse novo ambiente de inovação que está surgindo e queremos ter os nossos times presentes neste ambiente criativo, trocando ideias com startups de vários segmentos e outros players”, diz Mottin.

Instituto Caldeira – O que representa o lançamento este ano da plataforma própria de venda de produtos da marca, com estoques integrados com as grandes fabricantes?

Julio Ricardo Mottin Neto – É um grande passo. Somos o benchmarking no setor farma com uma participação de 16% dos canais digitais em nosso faturamento, mas com a nossa própria plataforma, vamos oferecer uma solução muito mais completa e, provavelmente, essa participação irá aumentar. Muitos dos nossos fornecedores, como Nestlé, Procter and Gamble e Unilever, estarão nessa nova plataforma, vendendo direto para o consumidor. Vejo muito espaço para uma marca como a Panvel proporcionar ao cliente um marketplace com uma curadoria de altíssima relevância em saúde e bem estar. Os marketplaces generalistas têm escala, mas não conseguem proporcionar esse serviço.  Vamos ampliar de forma exponencial o mix de produtos oferecidos: de 15 mil para 50 mil até o final de 2021.  Ampliaremos nossa oferta em cauda longa. Nem todos os produtos giram na quantidade suficiente para os termos no nosso mix. Mas, com os sellers parceiros, poderemos ampliar a variedade sem ter um estoque maior. Essa colaboração entre diversos players do varejo deve acontecer com cada vez mais intensidade nos próximos anos. Vejo o mesmo caminho em serviços de saúde e bem estar. Já estamos alinhando inciativas digitais com planos de saúde, laboratórios diagnósticos e clínicas de saúde, entre outros.

Instituto Caldeira – Outro foco importante tem sido a ampliação da oferta de serviços em loja. Qual a projeção de crescimento disto esse ano?

Mottin – Estamos sempre ampliando a Panvel Clinic nas lojas. São 200 salas de atendimento, sendo 60 delas com oferta de vacinação. Agora, estamos crescendo muito essa oferta com o teste Covid-19, com qualidade igual à dos laboratórios de diagnóstico. Esse movimento coloca a farmácia em um novo papel no segmento da saúde, em que ela vai identificar o problema e direcionar o paciente para o especialista competente.

Instituto Caldeira – Como você enxerga o futuro das farmácias?

Mottin – A farmácia do futuro terá papel de triagem muito importante no segmento da saúde. Estamos vendo isso acontecer agora, e vai se fortalecer ainda mais. Além disso, também trabalhamos na digitalização de serviços. Nossa intenção é democratizar o acesso à saúde. Até porque, a farmácia no segmento de saúde é o local que concentra o maior tráfego de pessoas, a maior audiência, então, vislumbramos um mundo em que podemos oferecer os mais diversos serviços voltados à saúde ao consumidor através de parcerias importantes. A farmácia encontrou seu espaço na saúde. Já somos importantes na testagem da população no caso da Covid-19 e também seremos na vacinação. Assim que tiver vacina em larga escala, provavelmente vai ser pelas farmácias que ela será aplicada na grande maioria das pessoas. Já colocamos nossas salas e farmacêuticos à disposição de todas as cidades em que estamos presentes, gratuitamente, e estamos vacinando, conforme orientação das secretarias da saúde.

Instituto Caldeira – A criação de novos produtos e serviços pela Panvel passa pela proximidade com as startups?

Mottin – Eu diria que é quase condição de sobrevivência para qualquer player estar preparado e disposto a se relacionar com as startups. Do contrário, seu concorrente vai fazer isso e acabar desenvolvendo algum diferencial. As startups fazem parte da nossa realidade há algum tempo e esse relacionamento só cresce. Mesmo com a opção que tomamos no passado de priorizar o desenvolvimento interno de softwares para garantir um diferencial no mercado, sempre pudemos contar com empresas que nos apoiam nas inovações e novas tecnologias. O Panvel Labs, nosso laboratório de inovação que nos conecta às startups, é um  braço importante nesta jornada. Nunca foi tão verdadeira a visão de que as boas ideias nascem dentro de uma garagem. Vemos muita gente boa e muita ideia boa no Rio Grande do Sul, que é um polo rico em startups e, dentro desse terreno fértil, o Instituto Caldeira também começa a despontar.

Eu diria que é quase condição de sobrevivência para qualquer player estar preparado e disposto a se relacionar com as startups. Do contrário, seu concorrente vai fazer isso e acabar desenvolvendo algum diferencial. As startups fazem parte da nossa realidade há algum tempo e esse relacionamento só cresce”.

Instituto Caldeira – A Panvel aposta muito no Caldeira, a ponto de ter sido uma das fundadoras desta inciativa. Como você visualiza a interação da empresa com esse ambiente?

Mottin – O Caldeira não teve muitas dificuldades para atrair as empresas para o seu hub, justamente pelo potencial que representa de promover essa aproximação entre grandes empresas e startups. Vemos como essencial participar e colaborar para esse novo ambiente de inovação que está surgindo e queremos ter os nossos times presentes neste ambiente criativo, trocando ideias com startups de vários segmentos e outros players. Por isso, vamos usar um espaço de 80 m² do Instituto Caldeira para abrigar uma equipe de 40 pessoas dividida em três áreas: Panvel Labs, e-commerce e TI.  A Unimed estará numa sala ao lado. Ou seja, já tem um polo de saúde sendo criado ali. É importante a gente investir em inovação e em projetos como o Caldeira para termos uma cidade bacana para morar, de forma que os espaços públicos sejam nossos e o ambiente de negócios ajude a manter as boas ideias aqui no Estado. O Caldeira tende a ser um elemento chave dentro da ideia de estimular um ambiente mais fértil para as empresas se desenvolverem e crescerem rapidamente no RS. Precisamos de uma cidade mais atrativa para os negócios.

Instituto Caldeira – Qual a sua perspectiva para o cenário macroeconômico do Brasil?

Mottin – Vai ser um ano duro para o mercado, com imprevisibilidade muito grande. É muito difícil dizer se vai crescer ou não PIB, pois há um grau de incerteza grande, principalmente porque não sabemos a velocidade de vacinação que teremos. Mas, por outro lado, as empresas estão mais preparadas para lidar com essas incertezas, a mudança de comportamento e a transformação digital. Tem esse aprendizado que deve servir para alavancar alguns negócios. A gente aprendeu muito no ano passado, e estamos bem otimistas. Hoje temos uma operação digital mais robusta do que em 2020.