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Você, empreendedor de tecnologia, sabe de fato o que os fundos de investimento estão buscando e como sua startup pode captar o interesse dos gestores? Será que seu pitch está bom o suficiente? Será que seu projeto é realmente escalável e pode resolver aquele problema do mercado que ainda não foi atacado por outra tech?

São perguntas que acompanham quem empreende em tecnologia em toda jornada empreendedora. A resposta para elas, no entanto, vai mudando conforme o estágio da empresa em questão. Por isso, o Instituto Caldeira trouxe o co-founder e Tech Investor da Catarina Capital, José Augusto Albino, para responder o que toda tech company quer saber:

Como os fundos de Venture Capital investem em startups? Quais são os fatores decisivos na seleção de investimentos?

E já que a Catarina Capital tem foco 100% em tecnologia, essa masterclass do Caldeira é um prato cheio e temperado para startups techs!

Mas então o que os fundos vão olhar antes de investir na sua empresa? “Depende do estágio da startup”, alerta.

Os gestores da Catarina Capital costumam dizer que eles investem em projetos da garagem à Bolsa. Mas cada estágio da companhia vai demandar um olhar diferente.

Um investidor de série D ou E [startup em estágio avançado] vai analisar indicadores fundamentalistas muito diferentes do que um investidor anjo [startups em estágio inicial] analisa. Mas eu acredito que durante toda a jornada, um dos fatores que sempre vai ser analisado é o perfil do empreendedor. As pessoas que estão à frente da companhia”, diz Albino.

O gestor da Catarina Capital também conta que não são todas startups que vão crescer no mercado com ajuda de fundos Venture Capital. Mas isso não é um problema. Segundo ele, a depender do setor que a companhia atua, o grau escalabilidade será menor e por isso não vai atrair o interesse dos fundos, o que não quer dizer que a empresa tem um produto/serviço ruim. 

Só olhar o exemplo da GoPro, que fez seu IPO sem aportes externos, lembra Albino.

Os fundos buscam empresas que possam sair de um valuation de 1 milhão de dólares para 100 milhões em 5 anos. A gente sabe que isso não é um sonho, acontece em muitos casos. Mas também não é toda empresa que é tem uma escalabilidade grande, o que não é um problema. Empresas dos setores de e-commerce e desenvolvedoras de software tendem a ser mais escaláveis do que produtoras de hardware, por exemplo”, acrescenta.

Além disso, os fundos sempre vão comparar a sua startup com exemplos de fora, como o mercado norte-americano, e traçar o diferencial competitivo do produto. Daí que surge a pergunta para o projeto: ‘o problema que você quer resolver já não está sendo solucionado por outra companhia? Se já está sendo, qual seu diferencial?’

3 fatores que praticamente todo fundo vai analisar numa empresa de tecnologia: 

O co-fundador e Tech Investor da Catarina Capital, José Augusto Albino, em Masterclass na sede do Instituto Caldeira, elencou 3 fatores decisivos para atrair investidores de VC. Cada fator tem relação direta com o estágio em que o negócio está.

Você também pode conferir toda essa super aula na íntegra em nosso canal do Youtube.

Masterclass Ebulição

  • Empreendedores

A jornada de quem está à frente da empresa antes de começar seu negócio próprio é um fator decisivo para investir em startups early-stage. Onde os fundadores já trabalhará.? Qual é a formação e de onde vem o conhecimento em tecnologia dos gestores?

Segundo Albino, a Catarina Capital não gosta de investir em empresas que têm apenas um fundador. “Significa que ninguém comprou a ideia do projeto”. Ele também diz ser essencial que um dos co-founders tenha conhecimento em tech. “Três empreendedores com capacitação em marketing não conseguem tocar uma empresa de software. Pelo menos um tem que ter background em tecnologia ou programação”.

  •  Mercado e Oportunidade

Para empresas que já lançaram seu MVP e encontraram um investidor anjo ou já tem seu produto/serviço pronto para ir para rua, os fundos certamente vão focar no marketplace e nos diferenciais da startup que está para receber o investimento.

Qual o problema que será resolvido? / Qual o tamanho deste mercado? Quais os diferenciais, a barreira de entrada e facilidade da concorrência replicar meu produto?

Essas são algumas perguntas que surgem nesta etapa. Elas serão respondidas através de indicadores fundamentalistas, como CAC, LTV, ganho marginal. 

Em 90% dos pitchs que eu escuto, o empreendedor não tem um grande problema de mercado que precise ser resolvido, muitas vezes por que o que já está no mercado é bom o suficiente”, salienta Albino.

  • Product Market Fit

Este é um dos fatores mais difíceis de ser analisado, segundo Albino, pois ele demanda uma análise que não é binária. Existem muitas formas de um fundo fazer a análise Product Market Fit, mas de forma bem resumida, esta etapa busca responder às seguintes questões: ‘Meu produto se encaixa no que o mercado está pedindo?’ ‘O mercado tem condição de pagar pelo meu produto?’ ‘Eu vou ganhar dinheiro no final do processo’

Essa análise, explica Albino, é relevante para empresas em estágio avançado, que já estão em rodadas de investimento de séries Seed e A. Dados como o NPS são fundamentais para análise dos fundos nessa hora.

Nas rodadas de investimentos de Série B para cima, todos os dados da empresa são revistos para analisar se a escala da empresa segue ou não em alta.