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Foi dada a largada para a série de eventos Go Global Caldeira, do Instituto Caldeira. A primeira edição, mediada por Ricardo Geromel, embaixador internacional do Instituto e investidor em Tech da 3G Radar, recebeu Marvin Tien, um dos principais gestores de venture capital do mundo e cofundador do Corner Ventures VC, fundo de capital de risco com escritórios em Palo Alto, New York, Tel Aviv e Tokyo.

Ao falar sobre a realidade do Brasil, Tien acredita que falta alguém que assuma uma voz no palco das discussões tecnológicas internacionais. “Acho que o Brasil é um daqueles lugares que deveria ser líder, não seguidor”, opinou. Marvin visitou o Brasil há alguns anos e se surpreendeu com a quantidade de talentos que trabalham no País.

Durante o bate papo, ele revelou alguns critérios que adota na hora de escolher uma startup para investir. À frente da Corner Ventures VC, que tem escritórios em Palo Alto, Nova York, Tel Aviv e Tóquio, ele liderou investimentos superiores a US$ 2 bilhões em mais de 200 companhias de tecnologia, com 30 IPOs e mais de 145 saídas. Alguns de seus investimentos incluem Yelp, Wix, Grubhub e Glassdoor.

Para o investidor, o grande diferencial está nas pessoas e na forma como lideram projetos. Isso, inclusive, muda de lugar para lugar. “Em mercados emergentes, confiança e integridade são mais importantes que outras características típicas. Mas em mercados desenvolvidos, como nos Estados Unidos, valorizamos empreendedores com incríveis sistemas em torno de duas ou três ideias em vez daqueles que têm várias ideias. Foco é muito importante”, ressaltou.

O relacionamento, para Tien, é algo que deve continuar após a concretização de um investimento, de modo que se crie uma sinergia entre investidores e fundadores. “A verdadeira moeda é ter acesso a um exército de talentos. A maior parte do meu tempo é gasta com jantas e almoços com pessoas. Elas são a munição para que a empresa tenha sucesso”, conta.

Radar das tendências

Aliás, para ele, Israel deve estar no centro dos olhares, especialmente pela tecnologia de ponta usada no serviço militar, na robótica e na Inteligência Artificial. “Há muitas tendências que podem surgir em um ambiente assim”, diz. Tien sugeriu ainda que o Brasil se atente a modelos que nascem na China e na Índia, países que têm grandes populações, assim como o nosso País, e estão sempre sendo desafiados a encontrar soluções para os problemas da sociedade e das empresas.

“É preciso estar aberto para o que surge em locais surpreendentes”, sugere. A China sempre foi um caldeirão nesse sentido, mas a recomendação dele é evitar aplicar dinheiro no país sozinho. “A China ainda é um lugar complexo. Sugiro achar oportunidades para investir através de fundos”, alerta.

Pensamento coletivo

Na conversa, o empreendedor deixou clara a importância da paciência na hora de apostar em um projeto. Ele instruiu os empreendedores a não venderem as empresas muito cedo. “Muitos falham nisso”, destacou. Para Tien, é essencial que se pense no sucesso de forma coletiva. “Precisamos que o ecossistema seja o grande vencedor”, disse durante o bate papo.

Geromel ressaltou a importância do Caldeira através de números.

Estou muito empolgado com o potencial transformador do Instituto Caldeira. É incrível que já tenham 41 empresas fundadoras, quase 60 empresas residentes, mais de 750 posições de trabalho e mais de 100 empresas se conectando com o ecossistema”, mensurou, destacando planos globais para o futuro.

Agenda

A próxima edição do Go Global Caldeira será no dia 25 de agosto. As transmissões fazem parte da missão do Caldeira, que é conectar empresas e startups para estimular o ambiente de inovação.