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Sabe a sensação de estar em uma grande conferência, com pessoas conversando e debatendo temas que vão de tecnologia e inovação ao Big Brother Brasil? Pois essa é a experiência que o Clubhouse, rede social por voz, tem proporcionado a quem ingressa na sua plataforma. E olha que a movimentação está intensa nas últimas semanas, aliás, fazia tempo que um aplicativo não causava tanto alvoroço. 

“O Clubhouse simula com profunda similaridade a experiência que eu tive na SXSW (um dos maiores eventos de inovação do mundo), de entrar em várias salas e ver o que está rolando de interessante”, exemplifica Lucas Foster, CEO do LabCriativo, psicólogo e especialista em criatividade e economia criativa. Desde 2010, ele lidera programas de educação empreendedora e liderança criativa em parceria com organizações nacionais, internacionais e agências do sistema ONU.

“É um fenômeno e uma alternativa para as pessoas, que estão cansadas das Big Techs e das suas ferramentas como os filtros do Instagram e os grupos de WhatsApp”, complementa o especialista, que tem acompanhado de perto essa nova rede social e ajudado as marcas a se aventurarem neste novo ambiente. 

Para Foster, o Clubhouse tem se destacado, nesse primeiro momento, por atrair pessoas em busca de conhecimento e oportunidades de networking. “É um grande momento para os hubs de inovação criarem seus perfis e passarem a ser promotores de atividades no Clubhouse”, sugere. 

A rede social foi criada no primeiro semestre de 2020 pela Alpha Exploration Co., empresa liderada por Rohan Seth, ex-funcionário do Google, e Paul Davidson, empresário do Vale do Silício (EUA). O buzz das últimas semanas foi causado quando a rede social hospedou um bate-papo de Elon Musk, fundador da Tesla, com Vlad Tenev, CEO do Robinhood, aplicativo para operações em bolsas. “É o toque de midas. Tudo o que Musk faz ultimamente ganha muita relevância”, aponta. Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, também participou de um bate papo, o que ajudou a aguçar a curiosidade das pessoas. 

A verdade é que foram vários fatores simultâneos que levaram a essa onda de interesse. Um delas é a qualidade da ferramenta e o fato de trazer algo diferente do que a maioria dos demais players oferece. Outra é a questão do isolamento social e o impacto da pandemia na saúde mental das pessoas, que reduziu as oportunidades de convivência dos indivíduos e de troca de informação. “Essa demanda reprimida por espaços de troca fez que todos quisessem participar das conversas, e a rede social explodiu”, analisa Foster. Estima-se que já são 2 milhões de usuários na plataforma e uma avaliação de mercado que já chega a US$ 1 bilhão.

Também merece destaque o investimento que a companhia recebeu no início do ano. Foram US$ 100 milhões, sendo que entre os investidores estavam os criadores do Netscape, muito respeitados no Vale do Silício, nos Estados Unidos, e que também investiram no início do Facebook. “O fato desses empreendedores terem apostado no Clubhouse fez com que as pessoas se voltassem ainda com mais interesse para essa plataforma”, explica. 

A exclusividade é outra forma de tentar provocar desejo nos usuários. O Clubhouse só pode ser acessado por usuários de iPhone e limita a entrada apenas a quem tem convite. Em países que adoram essa lógica do camarote, esse tipo de ação faz barulho e leva as pessoas a quererem fazer parte.

Como funciona

Você pode entrar assim que receber um convite de alguém que já participa do Clubhouse ou cadastrar o seu login e ficar em uma lista de espera – que fica visível para quem já está dentro da rede social poder convidá-lo. 

Depois, basta preencher um breve perfil pessoal e escolher os seus tópicos de interesse. Dependendo do que for selecionado, o aplicativo sugere grupos de bate-papo relacionados, além de pessoas a serem seguidas.

A pessoa que enviou o convite para você participar permanece sempre visível no seu perfil, como se fosse uma espécie de padrinho. Mas, atenção. Ela também arcará com as consequências caso você cometa três infrações às regras de convivência e seja expulso.

O passo seguinte nesta jornada no Clubhouse é participar de fato. Para isso, você pode criar uma sala, com algum assunto de interesse, ou escolher uma das que estão ali disponíveis para participar. Ao entrar, você é identificado e, se quiser interagir, precisar clicar no botão de “levantar a mão”. A pessoa que criou a sala também fica responsável pela moderação dela. Todas as conversas acontecem por voz e é proibido gravá-las. 

“Existe toda uma dinâmica, como se fosse realmente um espaço de evento. É preciso ter respeito com tempo de fala e levar algum conteúdo de valor para compartilhar com as pessoas. É a primeira rede social que, quanto menor o grupo, talvez mais qualificado ele seja”, aponta o especialista em criatividade e economia criativa.

Dicas para quem vai moderar uma sala do Clubhouse 

1. Agendamento

Defina um horário e uma data para você abrir uma sala. Isso vai te fornece tempo para se preparar, pensar no tema e fazer a divulgação. Além, claro, de permitir a regularidade e a presença dos participantes que você convidou. 

2. Tema

Seja objetivo no tema que será debatido e crie um nome para que as pessoas saibam o que vai ser discutido na sala.

3. Gestão do Tempo

É importante reservar ao menos uma hora para o desenvolvimento do assunto na sala. O moderador precisa ficar atento para equilibrar o tempo de fala dos participantes que estão colaborando.

4. Faça uma boa curadoria e abra espaço

Crie um ambiente de acolhimento. Isso é fundamental para que as pessoas sintam desejo de compartilhar suas experiências. No entanto, faça uma curadoria e tente encontrar histórias complementares para que a conversa não fique repetitiva e abra espaço para a pluralidade e diversidade de ideias de forma saudável e construtiva.

Fonte: LabCriativo