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Cada vez mais, grandes players do centro do país têm voltado suas atenções para os ecossistemas de inovação regionais, e o Rio Grande do Sul é um dos mercados que está na mira. Que o diga o Grupo Locaweb, que ao longo dos últimos anos realizou dez aquisições, fortalecendo a atuação em diversos mercados como o de e-commerce, marketing cloud, gerenciamento de redes sociais, hospedagem, cloud computing, pagamentos e aplicativos mobile. Só no Rio Grande do Sul, foram três empresas: Bling, Melhor Envio e Dooca Commerce. “A região Sul do Brasil tem muitas boas empresas de tecnologia. Mas nós não selecionamos pela localização, e sim pela qualidade da solução”, explica Fernando Cirne, CEO da companhia.

Especializada em hospedagem de sites, serviços de internet e computação em nuvem, a Locaweb é uma das maiores do segmento no Brasil e na América Latina, com mais de 280 mil clientes e 15 mil desenvolvedores parceiros.

A empresa foi uma das que mais buscou o mercado gaúcho nos últimos dois anos, como aponta oRS Tech – uma fotografia do ecossistema de inovação do Rio Grande do Sul, estudo realizado pelo Instituto Caldeira em parceria com a Distrito.  Em 2020, cinco empresas buscaram no mercado gaúcho startups para aquisição; em 2021 foram mais oito.

Para Cirne, CEO da Locaweb, este resultado é fruto de um hub de inovação maduro e criativo, que tem ganhado tração nos últimos anos, não só no RS, mas em todo o Brasil.

Em entrevista para o Instituto Caldeira, o empresário contou um pouco mais sobre os planos da empresa nos próximos anos, o desenvolvimento do setor de tecnologia no Brasil e como Rio Grande do Sul se encaixa no meio disso. Confira o bate-papo:

Instituto Caldeira – De que forma o avanço do ecossistema de inovação brasileiro, com o fortalecimento das startups e a chegada de mais investidores, pode ser um indicativo dos rumos da nossa economia?

Fernando Cirne – É algo muito positivo. Quanto mais inovação e mais investimento, mais teremos geração de valor, formação, retenção de mão de obra qualificada e novas soluções para atender as demandas do mercado consumidor. Vemos que as empresas de tecnologia brasileiras cresceram muito nos últimos anos. Um ótimo exemplo disso são os empreendedores que vieram junto com as aquisições que fizemos. São pessoas com múltiplas habilidades, histórias e desafios. Cada um deles contribui para o crescimento das unidades de negócio de forma individual e do grupo Locaweb.

Instituto Caldeira – A Locaweb tem grande apetite para adquirir startups (inclusive, foi uma das 3 empresas que mais comprou startups gaúchas em 2021). Podes falar um pouco dessa estratégia?

Cirne – As aquisições fazem parte da história da Locaweb. Desde 2012, quando adquirimos a Tray, uma das principais soluções de e-commerce do País, até a Squid no fim do ano passado, nossa missão é fazer com que as pequenas e médias empresas cresçam e prosperem por meio da tecnologia. Nós buscamos montar o mais completo ecossistema para que o pequeno empresário consiga resolver todas suas dores com a Locaweb.

Contamos com uma grande e competente equipe de desenvolvimento – mais da metade do nosso pessoal é de tecnologia. No entanto, dentro do go-to-market, entendemos que algumas features e negócios poderiam ser adquiridos com todo know how dos fundadores dessas empresas.

Veja o exemplo da aquisição da Tray: eles já tinham lá em 2012 uma ferramenta muito boa, simples e intuitiva de criação de lojas virtuais. Para a gente criar algo como o deles demoraria anos e possivelmente perderíamos o time to market. Na época fez muito mais sentido trazer esses caras para dentro de casa do que começar um novo produto.

E foi o que fizemos com a Tray, com a Etus, Delivery Direto e Bling, por exemplo. Trazer esse ótimo time de empreendedores para o guarda-chuva da Locaweb.

Não compramos só para empilhar receita. Adquirimos apenas empresas que fazem sentido para o nosso negócio e para a nossa missão. E, para que todas essas aquisições funcionem – 13 desde o IPO em 2020 – nós contamos com uma estratégia: manter os fundadores à frente dos negócios. Isso permite que a pessoa que criou, o maior especialista naquele produto, siga engajado, sempre buscando melhorar a entrega e a sinergia entre os outros serviços da Locaweb.

Instituto Caldeira – Podes falar do envolvimento com as startups gaúchas, o que atraiu mais a Locaweb?

Cirne – A região Sul do Brasil tem muitas boas empresas de tecnologia. Mas nós não selecionamos pela localização, e sim pela qualidade da solução. Se tiver um negócio interessante, não importa onde no Brasil, nós vamos atrás. Graças ao rico ecossistema de startup do Sul, conseguimos adquirir ótimas empresas da região, com pessoas extremamente qualificadas.

Instituto Caldeira – O que a empresa olha quando decide adquirir uma startup?

Cirne – Nós primeiro olhamos o negócio e se aquele produto ou serviço faz sentido para o nosso ecossistema, que possa gerar sinergia e cross-sell entre as empresas. Depois a cultura da empresa e se tem fit com o nosso. Esse ponto é muito importante para que a aquisição de fato funcione.

Nós contamos com um comitê que se reúne semanalmente para avaliar possíveis aquisições, startups ou empresas, que conta comigo, o Rafael Chamas (CFO), nossos fundadores e outros profissionais sênior para avaliarem todos os aspectos do negócio.

Instituto Caldeira – Em que aspectos ainda precisamos evoluir, como ecossistema?

Cirne – Vejo o ecossistema de inovação muito forte, conseguindo criar muito, atrair investimentos e prosperar no Brasil e fora dele. Só ver o número de unicórnios brasileiros como cresceu nos últimos anos. Não estamos devendo para ninguém no quesito talento e inovação.

Acredito que o maior problema, não só no Brasil, mas no mundo todo, é a falta de mão de obra técnica, em especial desenvolvedores. Todas as empresas deveriam ter programas, assim como a Locaweb tem, para a formação de desenvolvedores.

Instituto Caldeira – Quais as perspectivas de negócios da empresa para 2022?

Cirne – Continuar crescendo, montando esse ecossistema de digitalização que é dinâmico, sempre aparece algo novo, para ajudar a digitalização destes negócios brasileiros e entregar bons resultados aos acionistas.

Instituto Caldeira – Como o empreendedorismo pode ajudar a responder alguns dos maiores desafios do Brasil?

Cirne – O empreendedorismo ajuda a tornar o mercado mais dinâmico e competitivo, o que é muito bom para a economia brasileira. O Brasil se tornou referência em empreendedorismo graças à criatividade do povo, a qualificação e obviamente, o mar de oportunidades que ainda existem aqui, sem contar o tamanho do país, que por si só, já é um mercado gigantesco.