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A história da IBM e da tecnologia aplicada ao cotidiano são praticamente indissociáveis. Conhecida como uma das maiores empresas de tecnologia de informação do mundo, a centenária global foi uma das precursoras ao levar os primeiros computadores para o grande público e também tem liderado as pesquisas e aplicação da Inteligência Artificial (IA). Mas o passado é só parte de uma história que segue sendo contada, e que reserva capítulos ainda mais importantes, como a computação quântica e o uso de tecnologias totalmente limpas, e cada vez mais integradas. “A nossa missão primordial é ser essencial para a sociedade”, resume a gerente geral da IBM Brasil, Katia Vaskys.

Hoje, esse “essencial” acontece também com soluções que usem os recursos naturais de forma mais inteligente. E a empresa, que já firmou compromisso para zerar suas emissões até ano que vem, usa todo seu know-how para ajudar na implementação de sistemas mais sustentáveis, “o que só é possível fazer de forma colaborativa, integrando todos os agentes da cadeia”, acrescenta Vaskys.

Para ela, atualmente não há como pensar em fazer inovação sem olhar para fora da empresa. Pelo contrário, é preciso interagir com os ecossistemas de empresas, com as universidades, institutos de pesquisas e por aí vai. Com mais de 25 anos de experiência na indústria de TI, a gerente geral da IBM Brasil, Katia Vaskys, participou do Caldeira Sessions, realizado pelo Instituto Caldeira.

Durante o bate-papo, ela contou sobre os novos planos da IBM frente ao mercado de tecnologia, sem deixar de abordar temas como liderança, inclusão, integração, sustentabilidade e, claro, da pandemia de Covid-19. E lembrou que, em 2021, a IBM Brasil celebra 91 anos da filial na região Sul e quase um século de sua trajetória no Brasil.

A IBM chegou ao Brasil na década de 1920 e ajudou o País a fazer seu primeiro Censo Demográfico, que permitiu conhecermos melhor nossa nação. Na década de 1960, trouxemos a computação de grande porte, sendo o Banrisul um dos primeiros a implementar essas máquinas em sua operação. Nos anos 2000, trouxemos a Inteligência Artificial. Tem muita coisa que vem acontecendo e acompanhando a evolução da sociedade, e queremos fazer parte disso”, comenta.

 

Reinvenção com a Covid-19

 Um fator não estava nos cálculos da IBM, e nem de nenhuma outra empresa ou pessoa no mundo: a pandemia de Covid-19. Para Katya, no entanto, a reinvenção que esse período demandou deve ser levada como um ponto positivo em meio às coisas ruins.

Se a gente teve que adaptar radicalmente nossa vida pessoal, também vimos acontecer uma explosão no cenário econômico como um todo, com hiper digitalização das empresas, uso acelerado de tecnologia e o trabalho remoto. Tudo isso exigiu um nível extremo de exigência operacional. É uma transformação do ser humano, acima de tudo. Nesse cenário, a tecnologia é protagonista”, destaca. Para a executiva, nunca foi tão essencial as empresas estarem preparadas para um cenário híbrido.

Confira alguns outros temas importantes que rolaram durante o bate-papo realizado com a gerente geral da IBM Brasil, Katia Vaskys, para o Caldeira Sessions.

A cloud não é o fim, é o meio

Questionada sobre o que é preciso para que as novas tecnologias sejam de fato competitivas e acessíveis ao consumidor final, a general manager da IBM Brasil, Katia Vaskys, salientou que a grande chave para as empresas é fazer uma revisão minuciosa de seus processos. A eficiência da tecnologia aplicada à iniciativa privada, segundo ela, passa por processos operacionais mais limpos e na busca por automatizar tudo que for possível.

“As empresas veem a cloud como a solução final, mas a cloud não é fim, é o meio. A grande chave para se destacar é ter eficiência em um ambiente que exija grandes volumes de dados e análise de volume de dados. É preciso usar a IA e a cloud para ter processos mais fluidos. A possibilidade de usar computação em nuvem permite que você compre essa capacidade operacional de tecnologia. Isso torna o recurso mais acessível, mas é a partir dele que a empresa pode explorar seu potencial máximo”, analisa.

Na visão da gestora, para captar produtos inovadores que sejam aplicáveis ao cotidiano é preciso olhar, essencialmente, para fora da companhia. Seja se aproximando de universidades, institutos de pesquisa ou empresas inovadores, cada vez mais é preciso tratar a inovação de maneira aberta e compartilhada.

No caso da IBM, a empresa mantém relação com as principais faculdades do País e tem uma área dentro da empresa, chamada de Open Ventures, que trabalha buscando startups e scale ups para ajudar a gente a aprimorar nosso processo de inovação e entrega para os clientes.

É preciso olhar mais para o soft skills do para o hard skill quando buscamos novos talentos

 Uma das grandes carências no cenário nacional de hoje é a falta de recursos humanos que contribuam para o processo de inovação. Por isso, a executiva alerta para a necessidade de olharmos muito mais para o soft skills do que para o hard skill.

Quando a gente está contratando, olhamos para atitude empreendedora, para a vontade de inovar e de aprender. Até porque, na formação, é possível investir, mas essa vontade está dentro de cada um”, complementa.

Outro olhar importante é explorar ao máximo a diversidade e o mix cultural. Conforme conta, a IBM tem um programa para neurodiversidade e começou a trazer profissionais com  deficiências neurológicas para dentro da empresa, o que trouxe ótimos resultados. Profissionais com autismo, por exemplo, são pessoas que têm uma capacidade de concentração e um raciocínio lógico muito apurado. Nós trouxemos um grupo de profissionais e formamos especialmente na área de teste e desenvolvimento de software e tem sido fantástico, pois a capacidade de concentração deles é fundamental”, explica.

Além disso, para auxiliar na busca por talentos, a IBM intensificou parcerias com universidades e institutos de pesquisa, Ministérios de Ciências e Tecnologias e muitas outras entidades. Em projeto com a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), ofereceu formação em tecnologias disruptivas para cerca de 10 mil profissionais. Outro programa é o P-TECH, que toca essencialmente na formação do profissional de ensino médio.

“A ideia é fomentar isso desde o ensino médio para termos uma gama de profissionais preparados. Isso tem que ser uma responsabilidade de todos nós, pois se não vamos ter um apagão de recursos, que foi influenciado pelo gap educacional que tivemos durante a Covid-19”.

O 5G vai ser a próxima onda de transformação

 A gestora da IBM Brasil, Katia Vaskys, também falou sobre as novas tecnologias que devem de fato impactar a sociedade em um futuro próximo. Dentro dessas próximas mudanças, o 5G será uma das mais transformadoras na sua visão e deve ser o grande momento de virada nos próximos anos. Por isso, é preciso estar preparado.

“O 5G vai permitir que exploremos todo o potencial da Internet das Coisas (IoT), dos dados que vêm de pequenos equipamentos lá na ponta. Isso vai ser maximizado pelo 5G. Mas outro componente essencial é o edge computing, que nada mais é que trabalhar com a virtualização das redes. Se a gente pensar, todas as operações que acontecem vão começar a ser componentes virtualizados”, observa.

Com isso, vai ser possível o uso massivo de análise de dados na ponta, no momento em que eles estão acontecendo. Outra importante mudança, encabeçada pela IBM é a computação quântica, que mesmo parecendo algo muito distante da realidade hoje, deve quebrar paradigmas em breve.

Se a gente olhar para o processo básico das organizações financeiras, por exemplo, que demanda muito cálculo, risco de mercado e tantos outros fatores e modelos complexos, cada vez mais será exigido uma capacidade computacional diferenciada. Eu vejo que a computação quântica vai ser habilitada principalmente pelo fato dela estar na nuvem. Essa vai ser a grande beleza da computação quântica”, salienta a gestora da IBM Brasil.