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A inovação é um processo espontâneo ou metódico? Lúdico ou organizado? E mais: é  possível encontrar um método padronizado para um processo que depende tanto de criatividade e disrupção?

São perguntas chaves para qualquer startup, principalmente quando elas são feitas por investidores que não se saciam com apenas uma grande ideia e querem um desenvolvimento contínuo de soluções.

Mas como assegurar que uma empresa vai seguir gerando novas e consistentes ideias ao longo do tempo?

A resposta mais curta é: encontrando um padrão no processo. A mais detalhada nós vamos ver agora!

Para o professor e diretor da Unidade de Inovação e Tecnologia (Unitec) da Unisinos, Silvio Bitencourt, gerir a inovação dentro das empresas significa implementar conscientemente, de maneira planejada, práticas que levam a melhores resultados de inovação.

Segundo ele, isso é possível ser realizado através guia prático, que pode ser seguido por qualquer instituição como forma de tornar esse processo fluido e organizado.

Especialista em sistemas de gestão da inovação, o professor Silvio Bitencourt contou sobre este método prático em um workshop realizado na sede do Instituto Caldeira, para empresários e gestores de startups.

O evento, que você já pode conferir no canal do Caldeira no Youtube, faz parte de uma parceria entre o Instituto e Unisinos para aumentar a colaboração da universidade no braço educacional do hub de inovação do Rio Grande do Sul

Em busca de um padrão

O professor apresentou em sua apresentação na sede do Caldeira a norma ISO 56.002, que nada mais é que um guia de diretrizes internacionais para ajudar as empresas a implementar um processo de inovação sistemático.

Para quem é do ramo de tecnologia, sabe que basta escutar a palavra “norma” para já associar ela a um engessamento do seu processo criativo. Pois Bitencourt foi logo desmistificando este pensamento.

A criatividade é fundamental, mas a inovação enquanto processo, vai muito além da etapa criativa. Antes da criatividade há uma fase de inteligência estratégica, compreensão da necessidade do cliente e da cultura das empresas para que as ideias tenham o direcionamento adequado”, explica.

E depois ainda é preciso desdobrar as ideias em produtos ou soluções, no que é conhecido como o “funil de inovação”, acrescenta o professor.

Mas isso também não quer dizer que, a partir de um guia prático, todas as empresas vão inovar do mesmo jeito e obter os mesmos resultados.

Neste contexto, a ISO 56.002 irá instrumentalizar e dar apoio teórico para as empresas, mas “não vai dizer faça isso, crie uma planilha e tantas ideias por mês”, explica Bitencourt.

Passo a passo da norma

Segundo as diretrizes da norma ISO, normalizar a inovação dentro das empresas amplia a segurança, a qualidade e a eficiência do processo. Além disso, buscar um padrão comum utilizado em vários países internacionaliza o fazer inovação, o que é extremamente necessário nos tempos atuais.

Se eu perguntar para 40 pessoas o que é inovação é provável que eu tenha 40 respostas diferentes e nenhuma estará errada. Isso é muito curioso ao mesmo tempo que expõe a falta de uma padrão dentro do segmento”, explica o professor.

Desta forma, com uma norma universal de eficiência é possível criar definições e linguagens comuns, estabelecer uma estrutura credível e compartilhada e aumentar a importância das atividades de gerenciamento da inovação.

Por isso, as diretrizes que envolvem ISO 56.002 estabelecem as seguintes etapas:

  • Identificar oportunidades;
  • Criar conceitos;
  • Validar conceitos;
  • Desenvolver soluções;
  • Implantar soluções.

O professor e diretor da Unidade de Inovação e Tecnologia (Unitec) da Unisinos, Silvio Bitencourt reitera no entanto que as fases acima são interdependes e não podem ser encaradas como um fluxo linear

Pensar em algo linear não faz sentido dentro do conceito de inovação”, explica.

Além dessas etapas abordadas pelo professor, um papel fundamental é a da liderança: “a gestão da inovação não vai acontecer com eficiência se não houver uma liderança destacada em comunicar seu compromisso, visão, estratégia e política”.

Por isso, o mantra para as startups deve ser: foco na realização de valor, mas inteligência da estratégia de inovação!

Processos são fundamentais e inovação não são apenas ideias, mas sim um modelo prático de mudança do status quo, seja ele qual for.