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# Especial Porto Alegre Inovadora

Uma cidade aberta à inovação precisa ser, invariavelmente, um ambiente de disrupção altamente liberal, permitindo que o empreendedorismo aconteça de forma plena. E Porto Alegre tem avançando neste caminho, amadurecendo cada vez mais seus ecossistemas de inovação e tendo o poder público como aliado, e não mais como sinônimo de amarras. Essa é a percepção do secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo de Porto Alegre, Vicente Perrone, que conversou com o Instituto Caldeira.

Segundo Perrone, a desburocratização, as políticas de incentivos fiscais à tecnologia e o diálogo constante com a iniciativa privada tem sido ações imperativas da atual gestão. O objetivo final disso é reduzir a “chatice estatal” e dar mais liberdade ao empreendedor, fazendo com que a inovação seja uma estratégia transversal, que envolve os diversos atores públicos e privados da cidade.

Essa premissa tem gerado resultados na prática em Porto Alegre, como a fundação do Instituto Caldeira, a conquista de Porto Alegre, que ficou em primeiro lugar no Índice de Concorrência dos Municípios 2022, produzido pelo Ministério da Economia. Além disso, 5 startups da cidade ficaram entre as finalistas do South Summit 2022, concorrendo com diversas empresas de outras partes do mundo. A capital gaúcha receberá uma nova edição do evento em março deste ano. 

Confira aqui a entrevista completa com o secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo de Porto Alegre, Vicente Perrone.

Instituto Caldeira – Qual a visão da atual gestão municipal sobre o desenvolvimento e fomento da inovação em Porto Alegre?

Vicente Perrone – Eu sempre fui contra os governantes que decidem coisas e dizem “a cidade tem que ir para esse lado”. Não acredito que o planejamento central seja algo eficiente do ponto de vista orgânico de crescimento da cidade. É preciso que seja uma estratégia transversal e Porto Alegre tem essa confluência de diversos fatores, que vem criando um ambiente propício para que a gente faça as mudanças que alavanquem o empreendedorismo.

A inovação só acontece em um ambiente totalmente liberal e altamente disruptivo. A gente precisa que os negócios quebrem algumas vezes para que dê certo, pois o modelo de startup funciona na tentativa e erro, assim como o empreendedorismo como um todo. Por isso, tem que ser fácil abrir e fechar uma empresa na cidade.

Porto Alegre tem uma capacidade individual altíssima, universidades e hospitais que estão entre os melhores do país e um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) alto em relação à média nacional. Tudo isso, somado ao trabalho em conjunto com os diversos atores da inovação, tem feito a capital gaúcha ter avançado muito para se tornar uma das cidades mais inovadoras do Brasil.

Instituto Caldeira – Na prática, como é possível criar um ambiente propício à inovação sob o aspecto da gestão pública?

Vicente Perrone – Com liberdade econômica, redução de carga tributária, desburocratização e diálogo quase irrestrito entre o poder produtivo e com o Governo do Estado. O objetivo é tirar as amarras do poder público e fazer com que as pessoas olhem Porto Alegre como um destino de investimento.

Tem no mínimo 15 ações que estamos fazendo com objetivo de reduzir a chatice estatal, que botam no colo do empreendedor mais responsabilidade e liberdade de empreendedor. Um exemplo é o Programa Criative, que  tem o objetivo de reduzir o Imposto sobre Serviços (ISS) de 5% para 2% para as empresas de base tecnológica e instituições de ciência e tecnologia, nas atividades relativas ao projeto de inovação

A prefeitura também isenta de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) construções que sejam feitas no 4º Distrito, como é o caso do Instituto Caldeira, pois esta região vem recebendo muitas empresas inovadoras nos últimos anos.

Instituto Caldeira – Em maio de 2021, a secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo se mudou para o Instituto Caldeira. Qual balanço você faz deste tempo deste período no hub de inovação?

Vicente Perrone Está sendo muito positivo respirar o ar do Caldeira, mas eu pontuo três benefícios mais claros. O primeiro é que a gente estava em um ambiente de 2.100 m² pagando R$ 210 mil por mês entre todos os custos envolvidos. A ida para o Caldeira já representou uma redução de R$ 2 milhões por ano em custos com estrutura. Era um desperdício de dinheiro público chocante.

O segundo benefício é estar lado a lado com a iniciativa privada. Para mim, a interlocução com o setor produtivo é a nossa principal função, e aqui isso acontece a todo momento nas corredores do Instituto.

O terceiro benefício é o simbolismo que a ida representou para a prefeitura e para o funcionalismo público, que é tão criticada. Reduzir o espaço, cortar as divisórias, estar em um ambiente limpo. Todos fatores transparecem mais credibilidade para a gestão municipal. Seria um retrocesso muito grande sair do Caldeira.

Instituto Caldeira – O poder público, o setor privado e as instituições de ensino são conhecidas como as três hélices que fazem a inovação se mover. Atualmente, já se fala na quarta hélice, que seria a sociedade civil. Em Porto Alegre, como analisa essa sinergia de agentes da inovação?

Vicente Perrone – Eu colocaria mais uma hélice, que seria o Sistema S na figura do Sebrae. É um trabalho entre poder público, setor privado, faculdades e esses entes de apoio, que são economias mista, mas tem uma autonomia e visão de desenvolvimento vanguardista. 

O prêmio que Porto Alegre recebeu, de ser a primeira cidade no Índice de Concorrência dos Municípios em 2022, passa muito pelo programa Cidade Empreendedora do Sebrae RS. Outro caso é a Sala do Empreendedor, que reúne num mesmo espaço todos os atores do desenvolvimento em hélice. Buscamos sempre essa sinergia.

Porto Alegre conseguiu ter um amadurecimento sob o ponto de vista do papel da gestão municipal. Por isso, temos visto aumentar a aprovação do atual governo.Tudo isso faz parte de uma estratégia de cidade livre e aberta ao diálogo.