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O ano de 2020 nos trouxe um exemplo muito prático do que é a exponencialidade: um vírus, que começou a se disseminar em uma cidadezinha da China, se expandiu rapidamente e impactou todo o planeta. Mas, existem outros. Levamos anos para decodificar 1% do genoma humano. Pelo pensamento linear, levaríamos 100 para decodificar todo DNA humano, mas isso aconteceu em oito. Já faz bastante tempo que a Singularity University (SU), fundada em 2008 por Ray Kurzweil e Dr. Peter H. Diamandis e localizada no Vale do Silício (EUA) – a instituição nasceu dentro da sede no NASA Research Park – chama a atenção para a importância do pensamento e das tecnologias exponenciais para os negócios e para a nossa vida. Agora, isso se tornou mais essencial do que nunca. “O mundo é cada vez mais abundante e exponencial. O pensamento linear, de vermos as coisas irem acontecendo de forma gradativa, não funciona mais”, aponta o Co CEO da SingularityU Brazil e CEO da HSM, Reynaldo Gama.

Instituto Caldeira – O que a pandemia nos ensinou sobre inovar e ser mais competitivo, em cenários voláteis, a partir de um mindset digital?

Reynaldo Gama – O desenvolvimento de uma mentalidade digital e ágil é fundamental para romper barreiras e paradigmas do mundo dos negócios. A pandemia trouxe dor e sofrimento, mas, para as empresas que souberam encarar isso como oportunidade, 2020 acelerou até dez anos essa visão digital. Só vamos saber daqui um tempo a real dimensão disso, entretanto, não dá para negar que a Covid-19 foi um grande impulsionador de uma nova maneira de pensar os negócios. Quem não mudou, terá mais dificuldade daqui para frente. 

Instituto Caldeira – O que não funciona mais quando pensamos em criar uma visão para construir os negócios do futuro? 

Gama – O pensamento linear, de as coisas irem acontecendo de forma gradativa, não funciona mais. A pandemia nos ensinou o que é a exponencialidade, um tema que a SingularityU vem debatendo há alguns anos. Vimos, por exemplo, a exponencialidade de um vírus que começou a se disseminar em uma cidadezinha da China, se expandiu e impactou todo o planeta. Não adianta mais pensarmos que uma ação vai demorar anos para acontecer, pois não será mais assim. Quando o genoma humano estava sendo estudado, levamos anos para decodificar 1%. Pela lógica do pensamento linear, seria preciso mais 100 anos para decodificar todo DNA humano, porém, levamos oito anos para decodificar os outros 99%. Isso é o pensamento exponencial. Não há mais espaço para o pensamento linear. O mundo é cada vez mais abundante e exponencial e o ano de 2020 foi um exemplo muito claro e pragmático disso. 

Instituto Caldeira – Quais são as novas tecnologias que deverão impactar mais os negócios daqui para frente? 

Reynaldo Gama Até 2025, mais da metade da população mundial estará sujeita a pelo menos um programa de Internet of Behaviors (IoB). É a internet de comportamentos, os gadgets que usamos, como os smartphones e smartwatchs, que captam uma série de dados importantes sobre o comportamento das pessoas. Isso é um prato cheio para as grandes empresas entenderem os consumidores. Acreditamos muito nesse movimento e temos estudado, de fato, esse tema. Até porque, existe aí um dilema ético, pois são informações nossas sendo carregadas na nuvem e podendo ser adquiridas por empresas. São dados que dizem muito sobre o nosso comportamento. Imagina para uma empresa de seguro de vida poder saber se o cliente é sedentário ou não e cobrar mais de quem não se cuida, por avaliar que o risco de sinistro é maior? A China já faz isso. As empresas de seguro de carro conseguem identificar se a pessoa dirige de forma agressiva e vão contabilizando a pontuação para dar desconto ou não. A IoB é uma tecnologia que irá revolucionar o mercado e também o comportamento das pessoas. 

Instituto Caldeira – Qual a diferença entre Internet das Coisas (IoT) e a IoB?

Gama – A gente acredita que a Internet of Behaviors é uma nova modalidade de uma tecnologia que já conhecemos. A IoT está muito relacionada com as coisas, como ao colocar um sensor em uma geladeira, e a IoB com as pessoas. Um indivíduo com um smartwatch gera muitos dados sobre o seu dia a dia, como questões de saúde e por onde ele transita. Isso é valioso. 

Instituto Caldeira – Que novas perspectivas podem ser criadas pela tecnologia para tornar o trabalho remoto mais eficiente?

Gama – Temos falado muito nos últimos tempos sobre cloud, e aqui também vemos um novo modelo surgindo que é o das nuvens distribuídas, que vão substituir os ambientes privados. Isso deverá causar um grande impacto na indústria. É o futuro da computação em nuvem. Entre os benefícios está a possibilidade de termos operações em qualquer lugar, capazes de oferecer experiências físicas e virtuais para clientes ou funcionários. Isso dará uma mobilidade global muito maior para as empresas que a cloud atual. O ano de 2020 foi um marco desta lógica de os escritórios estarem em qualquer lugar, e isso já está ligado a essa forma mais escalável e robusta da cloud distribuída.