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Uma oportunidade de repensar o modelo de varejo de conveniência foi o que motivou Rafael Lima, co-fundador e CEO da Gelb, e seus sócios a empreenderem um negócio de varejo que monta mini mercados autônomos dentro de escritórios e condomínios. A Gelb possui um modelo que demanda e depende da confiança de seus clientes para que as compras sejam efetivamente pagas, por isso, repensar a relação com os consumidores foi fundamental para a empresa conseguir criar uma rede de confiança e garantir que o seu modelo seja eficiente.

Com o surgimento da pandemia e grande parte da força de trabalho que até então consumia diariamente os produtos na Gelb nos escritórios, passando a trabalhar de casa, a empresa conseguiu acelerar suas inovações para continuar crescendo. Na entrevista, Rafael compartilha um pouco da história da empresa e sua visão conosco.

Como surgiu a ideia da Gelb? Qual o espaço que vocês enxergaram no mercado?

A Gelb surgiu do anseio de aprimorar o mercado de vending machines e vendas autônomas. Trazer inovações para o mercado varejista e melhorar a eficiência operacional através de novos modelos de negócio. Esse mercado é enorme, seja ele de alimentos/bebidas ou mesmo bens de consumo, e tem necessidade constante de inovação. As dores são diversas e as possibilidades de explorar novas oportunidades é muito ampla.

O Rio Grande do Sul tem um potencial incrível do ponto de vista de empreendedorismo. Diversas startups estão nascendo e as grandes empresas estão cada vez mais conectadas ao ecossistema. Como você vê o ambiente para uma startup no Estado? Quais são os principais desafios que a Gelb vem enfrentando?

Hoje vemos um movimento amparado por pessoas e empresas que entendem que criar um ecossistema favorável é uma exigência básica para manter o estado com potencial de crescimento. Sabemos das dificuldades que nosso estado possui, mas acredito que esse movimento possa trazer uma nova visão de oportunidades com empreendedores cada vez mais conectados. Nós dividimos as nossas dores e desafios com várias outras empresas que se encontram no mesmo estágio. Como a maioria das startups e novos negócios, encontramos desafios diários de acesso a capital, captação e retenção de talentos, além de um ambiente mais favorável ao crescimento.

A Gelb é uma empresa que utiliza escritórios e ambientes de trabalho como PDVs, mas a pandemia impactou a forma como as empresas utilizem essas estruturas. Home-office vem ganhando força e os escritórios estão se ressignificando. Como você observa esse movimento? O quanto ele impacta a Gelb e como tem sido evoluir o modelo de vocês com a chegada rápida dessa tendência?

O home office já era uma tendência. Obviamente esse processo foi acelerado por conta da pandemia e houve um impacto forte em nosso modelo de negócios. Acreditamos que haverá uma readequação deste cenário, e apostamos no modelo misto, com uma flexibilização maior por parte das empresas. Co-workings e espaços compartilhados terão grande crescimento e estamos presentes nestes locais. Usamos a nosso favor o porte da empresa para pivotar rapidamente nossas operações, com a implementação do e-commerce, além de dar mais ênfase ao modelo de micro-mercados em condomínios, no qual já havíamos entrado há dois anos, sendo os pioneiros no Brasil. Mesmo neste cenário adverso estamos mantendo o crescimento da empresa dentro do plano.

O modelo self service da Gelb cria uma experiência fantástica pro usuário, mas depende muito da confiança das pessoas para que não haja inadimplência. Como vocês encaram esse desafio?

Confiar só é possível se houver controle total, absoluto e constante de cada loja.

Quando você estabelece um vínculo de confiança com as pessoas, elas respondem de maneira muito positiva. Temos vários gatilhos que utilizamos para manter essa tese “de pé”. Ao longo dos quase 3 anos de existência da Gelb, fomos aprimorando nossos métodos e modelos de operacionalização baseado na confiança, além de adotarmos uma prática de melhoria contínua.

Como vocês tem usado dados para melhorar a experiência de compra e o mix de produtos de vocês? Existe um trabalho nessa esfera sendo desenvolvido em prol da experiência do consumidor?

Nosso time de CX e CI vem crescendo, acompanhando a empresa. Analisamos cada dado que é gerado para melhorar a interação de nossos clientes com a Gelb. Fazemos a análise exploratória dos dados e posteriormente uma proposição de projetos, usando modelos teórico-práticos. Tudo isso contribui para melhorar nossa apresentação nos pontos de venda.

A Gelb acaba se relacionando tanto com as empresas quanto com o consumidor final. Vocês se preocupam em criar um senso de comunidade ao redor da marca de vocês? Se sim, como vocês tem feito isso?

É essencial que exista o movimento de colaboração, coletivismo e comunidade, seja em empresas ou condomínios. Nosso time de marketing, pós venda e atendimento ao cliente, tem um papel fundamental para criar o melhor ambiente e trazer para cada cliente um sentimento de pertencimento, onde fica claro que é necessário que cada um faça sua parte, sem ser preciso cobrá-lo pra isso.

Como você acha que iniciativas como o Instituto Caldeira podem impactar nosso Estado e estimular o surgimento de mais negócios modernos e inovadores como o Gelb?

É sensacional ver movimento como o de vocês! Precisamos entender o quanto é preciso trazer para nosso dia-a-dia a mentalidade da inovação. Reinventar aquilo que já não faz mais sentido, e melhorar a vida das pessoas. O empreendedor tem um papel fundamental e carrega consigo todos os anseios daquilo que acredita. Ter um ambiente favorável onde possa se conectar com outros empreendedores e empresas é o melhor caminho para construirmos algo sólido e escalável.

Por fim, quais são as fontes de informação que você tem consumidos nos últimos meses – sejam elas vídeos, podcasts, revistas e livros? Por onde você se mantém atualizado?

A Gelb foi selecionada como uma das 7 empresas, no programa Scale-up Endeavor no RS, e isso tem nos trazido muita informação e fontes bacanas. Sou um consumidor assíduo de podcasts. Os assuntos são os mais variados, mas indicaria fortemente o Astella Playbook. Considero, também, uma leitura obrigatória para qualquer empreendedor: Jogar para Vencer: Como a Estratégia Realmente Funciona do AG Lafley e Roger L. Martin.