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Onde existe problema, existe oportunidade. Para o CEO da Egalitê, Guilherme Braga, é essa a visão que os empreendedores deveriam ter para conseguir construir um modelo de negócios sustentável e que esteja alinhado com o tema do impacto, cada vez mais fundamental nos dias de hoje. 

“O Brasil possui uma série de problemas complexos que geram desigualdade, portanto, há aí um amplo mercado para os empreendedores sociais”.

A HRtech gaúcha especializada na inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho já capacitou e empregou mais de 7 mil pessoas em 19 estados, ajudando cerca de 500 empresas. Neste mês, se tornou a primeira brasileira a vencer o Zero Project, iniciativa da Austrian Essl Foundation, em conjunto com o World Future Council e o European Foundation Center, com foco nos direitos das pessoas com deficiência em todo o mundo. “Startups, por sua natureza, querem resolver problemas de forma mais rápida, barata e eficiente utilizando a tecnologia. Esses conceitos aplicados a questões sociais podem acelerar muito na solução desses problemas”, destaca.

Mas, não basta ter uma solução de impacto. As empresas que atuam neste mercado precisam ter um modelo de receita bem definido e entregar valor aos seus clientes e beneficiários. “É fundamental a análise de indicadores de impacto, mas também financeiros. Gerar lucro alinhado ao impacto fará com que o negócio cresça e ajude ainda mais pessoas”, aconselha. 

Isso é fundamental, até mesmo, para os investidores acreditarem no quanto esses players podem ser atrativos – muitos ainda têm dificuldade de perceber o potencial de escala e, inclusive, de ganhos financeiros destas operações. “O conceito ainda é pouco difundido e essas organizações acabam lidando com as dificuldades de encontrar recursos de investidores tradicionais”, analisa Braga.

Mas, existem algumas iniciativas interessantes de investimentos nesta área, como a da Sitawi Finanças do Bem, investidora da Egalitê, e a Vox Capital, que buscam exclusivamente empresas de impacto. Além disso, fundos tradicionais estão trazendo para a sua análise temas como sustentabilidade e diversidade. 

Além disso, Braga acredita que as grandes empresas estão cada vez mais abertas a buscar soluções que gerem impacto social. Muitas delas, através da sua área de inovação, estão buscando ativamente projetos que possam ajudar a solucionar problemas internos. 

“Diversas pesquisas demonstram os benefícios de uma força de trabalho mais diversa e como isso tem um impacto fundamental na inovação. As pessoas com deficiência ajudam as corporações a serem mais flexíveis, adaptáveis e perceber que existem diferentes formas de se chegar aos mesmos resultados”, analisa. 

Ele conta que, durante a trajetória da Egalitê, já viu muitas companhias repensarem seus processos para conseguirem incluir pessoas com deficiência. Com isso, perceberam que as mudanças tornavam os resultados mais efetivos. “É importante a empresa perceber a pessoa com deficiência como consumidor e saber que ter esse profissional em seu quadro ajudará a criar soluções e produtos que atendam melhor às suas demandas”, sugere. 

Para isso acontecer de fato, a cultura deve ser um dos primeiros aspectos a serem trabalhados para promover a diversidade.  “Tendo o patrocínio da alta liderança e gestores engajados no processo, fica muito mais fácil e rápido”, diz.  

Corporações que possuem uma cultura inclusiva também conseguem atingir melhores resultados e ter mais benefícios com uma força de trabalho mais diversa. “É impossível falarmos de diversidade sem termos uma verdadeira transformação da organização, principalmente com o entendimento de que existe muito preconceito velado e vieses inconscientes que geram desigualdade no mercado de trabalho”, pondera. 

Futuro é a internacionalização 

Em 2021, a Egalitê vai iniciar um plano de internacionalização. A startup recebeu recurso da Fundación Descubreme e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para implantar um projeto piloto no Chile, que recentemente aprovou uma lei de cotas semelhante a do Brasil. Além disso, tem convites para projetos na Nigéria e Bangladesh. “Queremos nos consolidar cada vez mais no Brasil e levar o impacto, tecnologia e aprendizado para outros lugares do mundo”, projeta. 

A história da Egalitê

A ideia da Egalitê nasceu no 1° Torneio Empreendedor da PUCRS, em 2007. Durante alguns anos, a startup ficou sediada na Incubadora Raiar, dentro do Tecnopuc. “O fato de termos nascido em um forte ecossistema de inovação nos ajudou a transformar o nosso negócio em digital. Construímos uma plataforma de recrutamento on-line totalmente adaptada para pessoas com deficiência, com uma análise de perfil comportamental e match de candidatos usando inteligência artificial”, explica O CEO da Egalitê. 

A empresa já participou de programa de aceleração do mercado, como da BRF Hub e da Klabin. O trabalho desenvolvido ao longo destes anos rendeu premiações e reconhecimentos de instituições como Singularity University, Massachusetts Institute of Technology (MIT) e Ruderman. 

Jogo rápido 

Startup: Egalitê Inclusão & Diversidade

Principal produto: plataforma de recrutamento para pessoas com deficiência

Sócios: Guilherme Braga

Estágio: Escalando

Segmento de atuação: HR Tech

Número de colaboradores: 6

Investimento já recebido: R$ 1,3 milhão