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À frente da SAP Brasil, operação estratégica para a operação global da gigante alemã de software, Adriana Aroulho é conhecida por sua visão de integração entre equipes, capacitação e disciplina nos processos. Segunda mulher consecutiva a ocupar a posto máximo da companhia no Brasil – assumiu em agosto de 2020 no lugar Cristina Palmaka, a gestora mantém sempre o olhar para as pessoas, com especial atenção aos temas de diversidade, inclusão e inovação. “Essa é uma jornada que não acontece da noite para o dia. Nossa estratégica é ajudar outras empresas a se tornarem mais inteligentes, e isso não quer dizer só empresa digital, mas sustentável, diversa e ética”, aponta. A executiva está na companhia desde 2017. Em janeiro de 2019, assumiu a posição de COO com o desafio de trazer crescimento sustentável e garantir a satisfação dos clientes. Seus esforços foram fundamentais para elevar o Brasil a Unidade de Negócios de 2019 na América Latina, que por sua vez foi a Região do Ano em toda a SAP. Antes da SAP, Adriana esteve por 22 anos na HP/HPE, onde ocupou diversos cargos de liderança. Formada em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (USP), possui especialização em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas e MBA em Gestão de Tecnologia da Informação pela FIA (Fundação Instituto de Administração, USP). Em 2015, alcançou o Stanford Innovation and Entrepreneurship Certificate, pela Stanford School of Business. Confira esse bate papo que ela teve com o time de conteúdo do Instituto Caldeira.

Instituto Caldeira – A SAP é uma gigante de tecnologia, mas que a cada dia se envolve mais com temáticas contemporâneas como sustentabilidade e diversidade. A que você atribui esse posicionamento?

Adriana Aroulho – O nosso propósito é ajudar as empresas a se tornarem mais inteligentes e melhorar a vida das pessoas. Fazemos isso com as nossas soluções e com os nossos ecossistemas espalhados pelo mundo. O elemento humano está muito presente neste movimento. A tecnologia é a habilitadora deste novo mundo, pois precisamos de sistema robustos que tragam automação e ganho de produtividade, mas as transformações sempre veem pelas pessoas. A SAP tem o compromisso de colocar os indivíduos no centro da estratégia, abordando de forma profunda pautas como sustentabilidade, inovação e diversidade.

Instituto Caldeira – Como a inovação se conecta com essa agenda mais humana?

Adriana – A agenda da diversidade e da inclusão conversa diretamente com a nossa visão de inovação.

Para pensar diferente, precisamos ter pessoas diferentes. Esse tema sempre esteve presente na SAP, mas cresceu muito nos últimos tempos. Reafirmamos o nosso compromisso de chegar a 2030 com 50% de homens e 50% de mulheres nos nossos quadros. Também estamos comprometidos em ter uma maior participação da população negra, LGBTQIA+ e deficientes.

No nosso lab, localizado em São Leopoldo (RS), temos mais de 17 nacionalidades. São pessoas com diversas experiências de mundo. São cinco gerações na SAP trazemos visões que enriquecem muito a cultura da inovação.

Instituto Caldeira – Qual o papel das lideranças nestas iniciativas?

Adriana – O exemplo é fator primordial para a transformação cultural que precisamos fazer. Cuidamos muito do tema da liderança, pois as mudanças não ocorrem de uma hora para outra. Temos participação da alta liderança nos nossos projetos. Cada um deles é o patrocinador executivo, o padrinho, das redes como a de equidade de gênero. Envolver os líderes da empresa como patrocinadores dos grupos faz muita diferença nestas temáticas da diversidade e inclusão. Temos vieses inconscientes e precisamos revisitar sempre estes temas. Também realizamos encontros para juntar os funcionários e debater essas temáticas. E, claro, implantamos metas. Nos processos de seleção, por exemplo, nosso compromisso é com a transparência, com todos em condições iguais na seleção, mas, usamos a diversidade como fator de desempate. Neste ponto, somos mais intencionais.

Instituto Caldeira – A SAP tem uma atuação muito forte na direção de ajudar a promover a saúde mental dos colaboradores. Como tem sido a evolução destes projetos?

Adriana – Eu costumo dizer que são vasos comunicantes, pois a temática da saúde mental conversa com os nossos valores como empresa. Isso envolve o propósito de melhorar também a vida das pessoas da SAP e engajar os funcionários, pois, assim, também teremos um melhor resultado para os clientes. Esses temas fazem sentido da perspectiva humana e dos negócios. Atrair os talentos que queremos para a empresa está diretamente ligado aos resultados que geramos. A saúde mental já vinha recebendo muita atenção do nosso time antes da Covid-19, mas, com a pandemia, foi um processo natural intensificarmos os programas. Precisamos quebrar o tabu, falar mais sobre esse assunto.

Instituto Caldeira – Você está otimista com o aumento da discussão sobre esses temas?

Adriana – Sou uma realista otimista.

Esses temas todos, como diversidade, inclusão, sustentabilidade e inovação, são jornadas, não acontecem da noite para o dia. Estamos no caminho. Nossa estratégica como empresa é ajudar outras empresas a se tornarem mais inteligentes, e isso não que dizer só empresa digital, mas sustentável, diversa e ética. Essas agendas de ESG estão diretamente relacionadas com visão de empresa inteligente. A nossa tecnologia habilita isso e as pessoas fazem acontecer.

Instituto Caldeira – As empresas estão demandando soluções de ESG?

Adriana – O ESG está aparecendo demais. Fizemos uma pesquisa na América Latina com 400 clientes e os números mostraram que metade deles já começou a desenvolver projetos nesta área, e ¼ está começando. Mais de 70% das empresas já estão com agendas estruturadas neste sentido. A SAP tem soluções para apoiar todas as nuances, como ambiente, governança e social. Temos 23 soluções que endereçam 90 KPIs diferentes do ESG com nossos principais clientes. Esse tema está em ebulição dentro da SAP e com os clientes. O ESG faz parte da empresa inteligente e essa agenda tende a crescer.

Instituto Caldeira – Como a pandemia impactou os negócios da SAP Brasil?

Adriana – Colocamos o comitê de crise em pé antes mesmo da pandemia chegar ao Brasil, pois já vimos que a Covid-19 estava chegando na Europa. Nos adaptamos rapidamente, tínhamos uma política de home office já instituída e apenas tivemos que fazer alguns ajustes culturais, pois sempre tivemos muitos momentos de convívio. Fomos calibrando as ações para manter o engajamento. Fomos entendendo como entregar projetos de tecnologia de forma remota aos clientes. Tivemos perdas e ganhos. Um dos ganhos foi passar a contar com a expertise de pessoas da SAP do mundo todo, como Índia e Estados Unidos, muito rapidamente, sem precisar correr atrás de visto e passagens para trazer essas pessoas para o Brasil. Isso significou que conseguimos, rapidamente, aportar muito conhecimento aos nossos projetos. A maior transformação foi a cultural. Tem sido um aprendizado e, dependendo da cultura do cliente, tudo flui mais fácil.

Instituto Caldeira – Qual o papel da oferta de tecnologia de ponta neste cenário de desafios para os clientes?

Adriana – Definitivamente, as empresas se apoiaram na tecnologia para enfrentar a crise. Vimos uma aceleração enorme. Atendemos mais de 25 indústrias e, claro, algumas como o turismo e a automotiva, foram muito impactadas. Já outras, como o varejo, aceleraram anos em meses, e isso foi muito positivo para SAP Brasil. Algumas linhas de soluções cresceram de forma muito expressiva, como a de cadeia de suprimentos e gestão de compras, a partir de demandas que a pandemia acentuou.

Instituto Caldeira – Como a SAP Brasil se relaciona com os ecossistemas de inovação?

Adriana – Somos uma empresa de ecossistema. Temos mais de 400 parceiros no Brasil. As startups são fundamentais para a gente escalar. No SAP Labs, em São Leopoldo, temos um programa para mentoria e aceleração de startups. Construímos uma plataforma com uma série de programas que podem ser acessados por essas empresas. O Labs tem papel super bacana neste cenário, e tem realizado hackathons e outras iniciativas de aproximação.