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O que empresas como Google, Amazon, Uber, Airbnb e Ebay possuem em comum? Ambos construíram seus negócios através de um modelo contemporâneo de negócio que ressignifica toda cadeia de valor que conhecemos da velha economia: trata-se do modelo de plataforma.

No livro “Plataforma: A Revolução da Estratégia”, Geoffrey Parker, Marshall Alstyne e Sangeet Chourdary, aprofundam o estudo sobre este modelo de negócio que usa tecnologia para conectar pessoas, organizações e recursos em um mesmo ecossistema. Isso implica em mudanças bastante significativas, pois reconfigura a criação de valor ao trazer à tona fontes de fornecimento e oferta inéditas; o consumo de valor, ao promover um novo comportamento do consumidor; e o controle de qualidade, ao introduzir a ideia de curadoria conduzida pela própria comunidade.

Esse é o principal motivo pelo qual essas novas empresas vêm desbancando com tanta velocidade as tradicionais: existe uma dissociação entre o ativo e o valor, da reintermediação e da agregação no mercado.

“Grande parte do valor da plataforma provém da comunidade que lhe deu origem e à qual servem”

Necessariamente, toda essa lógica de negócio está pautada em cima do pilar do Design: os negócios nascem para ser atrativos, de fácil uso, e que consigam “parear” com facilidade o produtor e o consumidor. Além disso, precisam deixar espaços para que os usuários possam encontrar novas maneiras de criar valor através de novas formas de uso, porém de forma espontânea.

Um dos casos mais emblemáticos do modelo de plataforma é o Uber.

David Sacks, Co-Founder da Craft Ventures, aceleradora responsável pela participação de empresas como Airbnb e Hootsuite, Tesla e Uber, resume a construção do círculo virtuoso do Uber em um guardanapo. Esse esboço explica o crescimento exponencial da empresa, isto é: mais demanda, mais motoristas, mais cobertura geográfica, menos tempo ocioso do motorista, corridas mais rápidas, preços mais baixos.

 

O livro traz inúmeras histórias práticas de como nasceram diferentes startups através do modelo de plataforma, sugerindo formatos de como podemos dar os primeiros passos na construção de um negócio sob esse pilar. Ao todo, os autores destacam 8 diferentes métodos, desde a estratégia de “seguir o coelho”, como no caso da Amazon, estratégia que se baseia em projetar algo a partir de um modelo de negócio já existente, isto é, eles já eram um varejista bem sucedido e expandiram para uma plataforma de negócio marketplace; a estratégia de “carona no sucesso alheio”, como no caso do Paypal, que, através da parceria com o Ebay, já se apropriou uma audiência bastante significativa; a estratégia do “micromercado”, exemplo do Facebook, que direcionou todo seu esforço inicial para a comunidade específica de Harvard, garantindo assim, desde o começo de sua operação, uma plataforma com um grande volume de interações.

Entre outras estratégias. Estes mercados “livres” são propensos a falhas, como por exemplo a assimetria de métricas, externalidades, poder do monopólio e o risco. Sendo assim, é fundamental que os negócios de plataforma apresentem um plano de governança bastante sólido, embora a autogovernaça também seja crucial para a gestão eficaz do negócio.

Em linhas gerais, o modelo de plataforma inevitavelmente deve seguir moldando as transformações de diferentes setores de mercado, desde produtos e serviços, até o setor público, que também deve ser impactando fortemente pela transformação digital – vide o caso da Estônia. Esse impacto também atinge as camadas políticas e a revisão na legislação vigente de inúmeros países no mundo inteiro.

O modelo vem transformando também o estilo de vida das pessoas, mudando hábitos, ressignifcando carreiras e gerando diferentes oportunidades.

Os setores que devem ser mais impactados nos próximos anos, segundo os autores, são aqueles baseados em informação, que possuem gatekeepers não escaláveis, que se revelam altamente fragmentados e que se caracterizam por assimetrias de informação externas.

Diferente daqueles que devem demorar mais para sofrer tal transformação, em geral são os que possuem maior controle regulatório, custos elevados de falhas e que estão baseados em recursos.

Não deixe de ler o livro completo.
Plataforma: A Revolução da Estratégia