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O segredo é a alma do negócio? Definitivamente, essa não é mais uma lógica de mercado que conecta com o mundo moderno. Em uma realidade em que a colaboração e as parcerias são cada vez mais a mola propulsora da evolução, nada como estarmos abertos para compartilhar quem somos e o que buscamos construir como seres humanos e como empresas. 

“Saímos de um ciclo vicioso, em que tudo devia ser fechado e não dito, para um período virtuoso, em que quanto mais todos os stakeholders do mercado me conhecerem, melhor retorno eu terei. A transparência é a alma do negócio”, aponta Maria Elena Johannpeter, fundadora e membro do Conselho de Administração da ONG Parceiros Voluntários, uma das iniciativas do Terceiro Setor de maior credibilidade do Brasil.

Para ela, o século 21 nos chama para as parcerias. E isso também se explica muito pelo ambiente difícil e de total imprevisibilidade dos negócios, em que a inovação e os novos modelos de atuação que estão surgindo desafiam a lógica dos séculos anteriores.

“Quando a situação está estável, a gente não costuma se preocupar com os demais, o foco fica na própria empresa. Passamos a olhar para o que está no nosso entorno quando estamos diante de um cenário não favorável. É uma característica da humanidade se abrir para os outros nestes momentos mais difíceis”.

Há aí uma visão que vale para as pessoas, as empresas, organizações sociais, universidades e o governo: o aprendizado se dá, justamente, a partir da conectividade com o outro. Como os meus iguais, que até então eu chamava de concorrentes, estão reagindo? Como o mercado, meus clientes e parceiros enxergam a minha empresa? Qual a imagem que transmito e como ela é percebida? São questionamentos que precisam ser feitos constantemente. 

“Somos sempre empurrados a reanalisar e renovar a nossa visão pelo surgimento de uma crise ou pela queda de produtividade. Assim passamos a interagir mais com tudo que está em nossa volta, desde as pessoas e a até ferramentas e tecnologias”, diz.   

E se tem um momento marcante das últimas décadas em que percebemos a importância da busca por soluções coletivas, foi em 2020. “No nosso caminho tem um vírus, mas o vírus também apresentou um caminho para nós, pois nos obrigou a caminhar ainda mais na direção desta lógica da colaboração. Apenas se estivermos juntos haverá o ganha-ganha para todos”, destaca Maria Elena.

A humanidade não voltará ao que era antes. Teremos que ter um mindset novo e fazer uma revisão do nosso ser, do nosso agir.  E a tecnologia tem um papel decisivo nisso, pois, segundo a empreendedora, nos conduz a sermos exponenciais. 

“A tecnologia nos empurra para essa grande abertura mental em que o maior desafio é aprender a desaprender. E isso não significa esquecer o que fizemos até agora ou o que sabemos, mas  fazermos tudo com muita atenção e com muita consciência”.

Para ela, é importante pautar nossa conduta consciente, analisar se o que estamos entregando não leva a uma má consequência para ninguém, começando pelo sistema ambiental. “É uma nova maneira de nos posicionarmos e sermos honestos e transparentes entre o nosso pensar-dizer-sentir-agir”, reforça. 

Da mesma forma, a empreendedora social destaca que, como as empresas são as pessoas que nela estão, os líderes precisam começar a buscar o capital social, intelectual e emocional que têm dentro da própria organização e, realmente, o valorizar mais. “Se não fizermos isso, não vamos ter força suficiente para fazer os nossos negócios progredirem”, aponta.

Fundada em 1997, a Parceiros Voluntários foi liderada por Maria Elena até o início de 2020. Depois de dois anos preparando a sua sucessão, passou o desafio para o empresário Daniel Santoro, que teve logo de cara uma pandemia como a da Covid-19 a ser incluída em seus cenários e estratégias.

A ONG Parceiros Voluntários precisou se reinventar. Uma das decisões tomadas foi a de sair do formato em que a instituição tinha produtos e processos já definidos e simplesmente os oferecia ao mercado. “Passamos a escutar mais os clientes, sejam empresas, escolas, organizações sociais, universidades e governo, ver os seus desafios e cocriar soluções. A própria Organização se renovou a partir deste modelo de parceiras, conexões e saberes. Ninguém mais faz nada sozinho”, reforça Maria Elena, que hoje é líder do Canal Travessia, no YouTube, que aborda temas de Desenvolvimento Humano e Espiritualidade.