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A inovação aberta é uma das novas ‘menina dos olhos’ do mundo corporativo, uma espécie de horizonte que tem guiado empresas a convergirem entre si em busca de soluções com maior impacto. Nesse modelo de gestão, os projetos são desenvolvidos entre empresas, cada uma contribuindo com o seu know-how, e a solução que chega ao mercado não tem apenas um dono.

É como se as empresas se despissem do ego e abdicassem do controle exclusivo das tecnologias em prol de uma entrega mais completa. Quando isso acontece, significa que os limites das companhias precisavam expandir para fora dos seus habitats naturais e elas precisam trocar informações para construir algo maior do que se fosse feito internamente.

E o Instituto Caldeira não podia deixar de falar sobre esse modelo de gestão e como ele tem impactado o ecossistema de inovação. Por isso, no Caldeira MeetUp de julho, que rolou na sede do Instituto em Porto Alegre, a inovação aberta foi tema de um dos painéis principais, que contou com a participação de 3 cases em diferentes estágios de open innovation – a startup Birdie, a instituição financeira DLL e a Safeweb, empresa que atua no segmento de segurança da informação.

Nesse papo foi abordado o papel das startups no processo de inovação aberta, como essa nova lógica mexe com o core das empresas tradicionais e muito mais! Vem com a gente!

Como a inovação aberta vem ganhando espaço no mercado?

A inovação aberta é uma filosofia que até pouco tempo atrás nem passava pela cabeça dos empresários e veio quebrar paradigmas do ‘fazer inovação’.

Mas por que a lógica de inovação fechada vem ruindo entre as corporações? Bem, entre os motivos estão a dificuldade das empresas em seguir pensando “fora da caixa” com estruturas fechadas de trabalho, dentro de um cenário de alta competitividade e alta produção tecnologia. Além disso, o mundo consome cada vez mais conectado em rede.

Outro ponto é que a pesquisa aplicada também está mais globalizada graças às novas formas de tecnologia da informação, que tem fornecido um mar de dados sobre consumo.

Esses fatores vêm pavimentando a lógica de que capitalizar soluções em conjunto, a partir de uma leitura de códigos mais efetiva por parte das empresas, pode ser mais efetivo para o resultado final.

Qual o papel das startups no Open Innovation?

Normalmente, os primeiros passos que uma empresa tradicional dá em direção à inovação aberta é se aproximar de startups por meio de desafios, embora o open innovation não se restrinja a projetos de tecnologia e seja muito mais abrangente.

No entanto, os players tradicionais precisam manter uma relação de parceria com as startups e não como prestadoras de serviço. Nisso entra a busca por meio termo para azeitar questões burocráticas e hierárquicas, que no caso das startups normalmente são mais flexíveis. O choque de culturas deve ocorrer e os gestores precisam estar preparados para isso!

A startup não pode ser vista apenas como uma fornecedora em todo o processo. Existe uma série de paradigmas que precisam ser derrubados e um deles é entender as startups como peça fundamental para inovação aberta”, diz Fernanda Martins, Operational Excellence Specialist da DLL, instituição financeira global com braço no Brasil.

A filial brasileira da DLL vem se destacando por sua cultura de inovação, enfatiza a gestora:

A DLL é uma empresa tradicional que começou a falar em inovação em 2019, então ainda estamos engatinhando, mesmo assim o Brasil virou benchmark da empresa a nível global. Nossa primeira estratégia foi criar um ciclo com três desafios abertos para startups nacionais”

Do outro lado do balcão, as startups também precisam se adaptar frente a uma cultura mais engessada das companhias tradicionais se estiverem dispostas a contribuir para o open innovation.

Mesmo assim, essa relação entre entre o disruptivo e o tradicional tem sido cada vez mais azeitada.

Há 5 anos as empresas tradicionais ainda tinham a ideia de que a startup era uma ameaça para seus negócios. Hoje já existe muito mais o entendimento da startup como agregadora de tecnologias para o mercado”, diz Nill Cademartori, CBO e Partner da Birdie, startup especializada em tours virtuais a partir de tecnologia 3D.

No entanto, ele explica que os grandes desafios entre startups e empresas ainda são a burocracia e o timing.

Segundo Cademartori, a Birdie vai lançar no próximo quarter a primeira solução aberta da empresa, uma experiência de compra inteiramente em realidade aumentada, construída em parceria com uma grande varejista, cujo nome ainda segue em sigilo.

O equilíbrio entre inovação aberta e fechada

A maioria dos empresários que está aderindo à inovação aberta enfatiza que ela deve ser usada como uma prática complementar ao que já vem sendo realizado internamente, por isso é preciso equilíbrio para não sobrepor ambos conceitos na estratégia das organizações.

Conforme diz o CEO da SafeWeb, Daniel Fabre, “a inovação aberta permite que a empresa tenha planos abertos de desenvolvimento de projetos ao invés de um modelo sequencial, que é mais utilizado na produção interna de inovação”.

A SafeWeb, empresa de tecnologia do segmento de segurança da informação, foi um case de inovação fechada durante um bom tempo e largou na frente de muitas companhias ao investir em open innovation.

Em meados de 2017, a gente sentia internamente que a engrenagem estava ficando mais pesada para nós conseguirmos fazer o que queríamos, então começamos a adotar modelos abertos”.

Foi uma jornada de erros, acertos e muitos cálculos, explica o CEO. Os projetos abertos começaram com a criação de startups que seriam como spin-offs da própria SafeWeb, além de aportes em outras tech corps.

Tudo isso culminou na consolidação de um hub de inovação próprio da SafeWeb, mas com a chegada do Instituto Caldeira, a empresa viu que fazia muito mais sentido estar dentro do Hub Caldeira, o que ampliou a conexão com outras empresas.

Queremos quer apoiar projetos de inovação aberta que tenham adjacência com o negócio da SafeWeb. Paralelamente, o core tecnológico da empresa, que envolve criptografia, chaves assimétricas, entre outros conceitos mais complexos, segue no modelo de inovação fechada.