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Elemento químico da família do carbono, considerado o mais fino e o mais resistente do mundo, o grafeno é tido por muitos como o elemento do futuro para a indústria. E isso tem uma explicação: as suas diversas aplicações tecnológicas, que potencializam a performance de produtos nos mais variados setores.

A biomedicina a produção de microchips, de telas de computador e de baterias e até a blindagem de coletes à prova de bala são alguns destes exemplos. Mais precisamente, apenas uma palhinha de todo seu potencial, que já vem sendo explorado por multinacionais como IBM, Samsung e Bayer.

Por aqui, o assunto ganha ainda mais importância, já que temos a terceira maior reserva de grafeno no mundo.

Com o fomento do grafeno, o Brasil poderia deixar de exportar commodities de baixo conteúdo tecnológico, como é feito hoje, para exportar bens de produtos já acabados”, destaca Sidney Nicodemos, professor e pesquisador do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFT).

Ele foi um dos participantes do Caldeira Sessions, promovido pelo Instituto Caldeira, que reuniu grandes nomes para debater sobre os potenciais do grafeno na nova economia. Ao seu lado estavam o reitor da Universidade de Caxias do Sul (UCS), Evaldo Kuiava, o empreendedor e presidente da Domus Nanoestruturas, Carlos Gerdau Johannpeter, e Gustavo Borghetti, da startup Boomatech Graphene Technology.

O bate papo foi mediado pelo diretor executivo do Caldeira, Pedro Valério, e abordou desde as questões mais técnicas e históricas sobre o grafeno, descoberto acidentalmente em 2004, até sua aplicação em escalas industriais e as perspectivas desse mercado para o Brasil nisso tudo.

Futuro da indústria

Nicodemos destacou as propriedades químicas e físicas do grafeno e seu potencial na produção industrial. Segundo o pesquisador, no setor de telecomunicações, por exemplo, o grafeno pode tornar até 1000 vezes mais rápidas as conexões que conhecemos hoje e aumentar na mesma proporção o desempenho de chips semicondutores.

Isso acontece porque o grafeno é muito leve e ao mesmo tempo muito resistente. Outro exemplo, entre muitos elucidados pelos convidados, é a aplicação do elemento em matrizes energéticas limpas.

Usar grafeno nas pás dos geradores eólicos pode trazer mais leveza e eficiência para a geração energia”, destacou o empresário Carlos Johannpeter.

Segundo ele, assim como a descoberta do fogo, do bronze e do petróleo mudaram por completo a sociedade, o grafeno também terá essa importância num futuro bem próximo. “Nós ainda estamos engatinhando quando o assunto é grafeno”, disse. “Não vamos usar grafeno, vamos usar coisas com grafeno. O grau de transformação que ele pode trazer para vida humana ainda nem conseguimos visualizar”, enfatiza.

Segundo Gustavo Borghetti, da startup BoomaTech, a partir do grafeno, o Brasil pode ser referência mundial no ramo da energia limpa e eficiente. A BoomaTech, focada em nanotecnologia, nasceu como empresa em 2019 e, em dois anos, aumentou em 20 vezes a fabricação de grafeno no país, com o maior portfólio do segmento no mercado brasileiro. A empresa atua com a utilização de elementos no mercado energético; de tintas e revestimentos; de biossensores e elastômeros.

Academia conectada aos negócios

A Universidade de Caxias do Sul, localizada na serra gaúcha, tem se destacado na produção e aplicação do grafeno, através de um projeto que conecta a pesquisa acadêmica com o mundo dos negócios.

Sempre buscamos unir as patentes produzidas nas universidades com as notas fiscais das empresas”, diz o reitor da UCS, Evaldo Kuiava, reiterando as dificuldades para fazer essas conexões.

Para dar fim à dor, a UCS criou em 2020, após 15 anos de pesquisas avançadas em nanomateriais, a UCS Graphene, a primeira e maior planta de produção de grafeno em escala industrial da América Latina instalada por uma universidade.

Localizada em Caxias do Sul e 100% nacional, tem capacidade de 5000 kg/ano, estando apta a abastecer os mercados nacional e internacional com grafeno de alta pureza qualidade.