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Às vésperas de inaugurar o seu hub físico em Porto Alegre – em fevereiro de 2021 o Instituto Caldeira, considerado um dos principais símbolos do movimento pela inovação e empreendedorismo do Rio Grande do Sul, começará a receber as primeiras empresas – os membros do conselho da iniciativa gaúcha estiveram em Florianópolis para uma rodada de benchmarking na Associação Catarinense de Tecnologia (Acate), principal representante do empreendedorismo inovador em Santa Catarina.

A visita teve como objetivo avaliar o impacto que o movimento liderado pela Acate gerou no estado vizinho. “Foi um momento único de compartilhamento de experiências. Fizemos uma verdadeira imersão para entender os modelos de parcerias criados por eles, produtos e serviços ofertados e como eles conseguiram conceber um ambiente com tanta atratividade”, comenta o CEO do Instituto Caldeira, Pedro Valério. 

Mas, não ficou só nisso. Os empreendedores ali reunidos logo viram as oportunidades que existem de conexão entre as iniciativas. “A Acate e o Instituto Caldeira podem funcionar como uma força motriz de atração de oportunidades para a região Sul do Brasil e de fortalecimento, como região, para nos aproximarmos de ecossistemas internacionais”, projeta Valério. 

O presidente do conselho da Acate, Daniel Leipnitz, concorda com essa visão de que a união poderá tornar a região ainda mais forte. “Estimular esse ecossistema local de inovação é peça estratégica para renovar a matriz econômica da região Sul e começar a trazer novas perspectivas de crescimento. E isso deve acontecer a partir das indústrias existentes e também de inovações que estão sendo feitas junto à academia e aos jovens talentos ávidos por criar soluções para o mercado”, aponta.

Leipnitz conta que as conversas com o Instituto Caldeira já vem acontecendo há algum tempo, e elogiou o projeto. “É uma iniciativa fantástica e muito importante não apenas para as empresas gaúchas tradicionais como para o desenvolvimento das startups nascentes do Rio Grande do Sul”, diz. Para o gestor, na área de tecnologia e inovação, colaborar e compartilhar são determinantes para avançarmos. “Iniciativas como a do Instituto Caldeira e da Acate se complementam, se reforçam e se tornarão ainda mais fortes a partir do momento em que a gente consiga criar essa sinergia”, aponta.

O diretor da Neugebauer e conselheiro do Instituto Caldeira, Rodrigo Vontobel, relata que a vista a Acate deixou claro o esforço que há para o desenvolvimento do setor de tecnologia local, algo que parece envolver todo ecossistema de inovação de Santa Catarina. “Parece que foi a natureza de como as coisas surgiram lá e de como esse espírito se mantém. Isso dá robustez e legitimidade para tudo que tem sido feito”, observa. 

Outra percepção de Vontobel sobre o ambiente catarinense é de que todos se apoiam, e não disputam entre si. Aliás, para ele, o Instituto Caldeira está nascendo muito alinhado com esse propósito. “Vamos conseguir fazer tudo o que quisermos se não ficarmos preocupados em saber quem vai levar os louros. Quando temos honestidade de propósito e vontade de fazer as coisas acontecerem, as possibilidades são infinitas. Essa é a visão do Caldeira. Queremos fazer algo maior para fomentar a base de desenvolvimento da nova economia que vai ajudar muito o Rio Grande do Sul”, analisa o empresário.

O CEO do Banco Topázio, Haroldo Stumpf, avalia que a Acate é um polo de inovação de muito sucesso, e que tem como um dos diferenciais o fato de ser um projeto do estado, mais associativo do que apenas ancorado por uma única empresa. “Isso é muito do que acreditamos para o Instituto Caldeira”, diz.

Ele, que esteve na visitação ao ambiente de inovação catarinense, comenta que foi um momento de grande aprendizado por ser um  ecossistema mais maduro, que trabalha a educação nos mais diversos segmentos e a integração das startups com as corporações. “Até do ponto de vista mais imobiliário é interessante ver o que aconteceu lá. Os empreendimentos foram sendo criados no entorno, valorizando a região, bem como atraindo a indústria de tecnologia para lá. A transformação que Santa Catarina fez é louvável, é algo para a gente se inspirar”, aponta Stumpf.

A visão do executivo é de que a inovação tem que vir de todos os lugares, se alimentar de outas iniciativas e não ser fechada em uma cidade ou Estado. “A ilha que vivia do turismo, hoje vive mais da tecnologia. É uma grande transformação”, pontua. 

Visitar ambientes que são referência em inovação tem sido uma constante do Instituto Caldeira. Desde 2019, os fundadores da iniciativa já estiveram em São Paulo, no Cubo Itaú e InovaBra, em Portugal, Itália, Espanha e Estados Unidos.