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Imagina aprender a cozinhar com Hassan, um indiano, rei dos temperos e dos chás? Ou com a Olívia, brasileira, feminista, chef criativa e com um humor ácido? Se depender da Cozinhe.me, esse é o tipo de experiência que teremos daqui para a frente, porém, com um detalhe: esses personagens são robôs, que irão estimular e orientar a preparação dos pratos. 

A foodtech nasceu com o propósito de incentivar o hábito de cozinhar de uma forma lúdica e com ingredientes de alta qualidade. O início da operação foi com a venda de ingredientes, como molhos, e de caixas sensoriais, que as pessoas escolhiam no site e recebiam em casa com o passo a passo para a preparação. 

Agora, a empresa gaúcha se prepara para colocar no mercado uma plataforma inédita, que permitirá que as pessoas tenham uma espécie de assistente na cozinha. Serão cinco bots, cada um com as suas características.

Os recursos para o desenvolvimento deste projeto virão do edital Techfuturo, lançado no ano passado pela Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia (SICT), do Governo do Rio Grande do Sul. O objetivo é incentivar produtos e soluções inovadores de empresas que usam tecnologias portadoras de futuro como Inteligência Artificial, Blockchain e Internet das Coisas para transformar a matriz produtiva gaúcha.

A Cozinhe.me foi uma das 30 selecionadas e vai receber R$ 200 mil para a criação dos bots. Para isso, contará com o apoio da DBServer e do Tecnopuc, parceiros tecnológicos.

“O ano de 2020 foi muito importante. O nosso modelo de negócios estava focado nos jantares e experiências físicas e, com a pandemia, tivemos que nos reinventar”, recorda Paulo Ardenghi, um dos sócios e CEO da Cozinhe-me.

Neste contexto, uma das primeiras decisões tomadas foi a de  colocar holofote em um dos produtos da foodtech, a caixa misteriosa, que chegava com os insumos para as pessoas cozinharem em casa. “Ao invés de lutar para as pessoas terem tempo de cozinhar em casa, mostramos que o ato de cozinhar podia salvar o tempo das pessoas em casa”, destaca. 

A participação no Startup Lisboa

A Cozinhe.me investiu forte nos kits culinários: foram 14 experiências autorais desenvolvidas. Logo em seguida, veio uma ótima notícia. A empresa foi uma das 20 selecionadas no ano passado para participar do From Start-to-Table, do Startup Lisboa, considerado o melhor programa de aceleração de startups na área da gastronomia do mundo. Foi a primeira representante do Rio Grande do Sul a participar deste projeto, desenvolvido pelo Ministério do Turismo de Portugal.

“Tivemos contato com mentores incríveis, como um dos TOP 10 chefs de Portugal, o Hugo Brito, do restaurante Boi Cavalo. Ele nos deu várias dicas e amadurecemos o modelo a ponto de identificar uma nova oportunidade para 2021, que foi a de criar um  marketplace para levar a experiência dos restaurantes para a casa das pessoas”, relembra Ardenghi.

Segundo o empreendedor, isso aconteceu na medida em que eles viram qual era a maior dor dos restaurantes nesse cenário de pandemia: a perda de mais da metade do faturamento. “Alguns estabelecimentos se jogaram no delivery, mas viram que não foi um bom negócio, pois trabalham com margem muito baixa e imprevisibilidade”, analisa.

Com esse insight, os gestores começaram a construir uma nova oferta, um modelo no qual os restaurantes ganharão dinheiro dentro da lógica das experiências diferenciadas e da recorrência. É o Clube de Cozinha, iniciativa que será lançada esse ano e na qual os assinantes receberão mensalmente um kit contendo todos os insumos e a receita do seu restaurante favorito. 

“Será um marketplace para levar a experiência do restaurante até a casa das pessoas. Cozinho tudo que vendo e vendo tudo que cozinho é a nova proposta da Cozinhe.me para os restaurantes no pós Covid-19”, explica o empreendedor. 

Essa oferta alia educação, pois as pessoas vão aprender a receita, lazer e diversão. “O kit chegará com uma playlists e algum detalhe que faça referência ao restaurante, uma iniciativa totalmente personalizada”, complementa.

Ardenghi celebra todas essas novas perspectivas, inclusive, a decisão pessoal tomada no final do ano passado de se desligar da Prefeitura Municipal de Porto Alegre, onde estava há 13 anos, mais recentemente, como diretor de inovação. “Agora estou de corpo e alma no projeto da Cozinhe.me”, aponta. 

Recentemente, a foodtech gaúcha foi eleita uma das startups para ficarmos de olho em 2021 em levantamento recente do Instituto Caldeira e Sebrae-RS. “O Caldeira é um projeto fantástico e que  tem tudo a ver com nossa visão de futuro, pois esta trazendo grandes empresas para se reinventarem. O futuro se dá através desse movimento em rede, de colaboração e de cooperação”, projeta o empreendedor. 

Raio-X

Nome da startup: Cozinhe.me 

Nome dos sócios: Paulo Renato Ardenghi, Flávio Luce, Rogério Luce Chaves e Mikael Martins

Estágio: Em operação, acaba de ser acelerada pelo principal programa do mundo na área da gastronomia (Startup Lisboa).

Segmento: Foodtech – varejo de alimentos e Food service 

Número de colaboradores: 9

Investimento já recebido: Techfuturo e investimento próprio.

Principal produto: Kit culinário