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Da porta para dentro, todos sofreram com a pandemia, mas, quem está respondendo melhor à crise são as empresas que estão participando dessa jornada de transformação digital com agilidade e implementando modelos de negócios vencedores. É essa a visão, do que realmente é importante para o futuro do Rio Grande do Sul, que fez a nova gestão da Federasul, liderada por Anderson Trautman Cardoso, escolher a inovação como tema central para os próximos anos. “Estou há 20 anos na Federasul, conheço muito bem a entidade e a dinâmica do empreendedorismo no Estado. A inovação estará cada vez mais presente como fator de desenvolvimento das regiões e queremos ser parte deste processo”, aponta. Cardoso é advogado há mais de 20 anos, atuando no setor empresarial no escritório Souto Correa Advogados, com unidades em Porto Alegre, Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília. Estudou gestão na Universidade de Yale (EUA) e cursou o Programa de Gestão Avançada na Insead, instituição francesa apontada como uma das melhores escolas de negócios do mundo, em uma iniciativa em parceria com a Fundação Dom Cabral. Como parte dessa visão da Federasul está a criação de parcerias estratégicas, como a firmada recentemente com o Instituto Caldeira. “Celebramos um acordo e queremos usufruir das belas iniciativas da área de inovação que estão sendo desenvolvidas pelo Caldeira, fomentando eventos, missões internacionais e programas em conjunto. Ao mesmo tempo, poderemos dar escala para as iniciativas do instituto em todo Estado. Será uma relação vencedora”, aposta o presidente da Federasul.

Instituto Caldeira – Como você está enxergando o cenário para os negócios no Rio Grande do Sul nesse ano de 2021?

Anderson Trautman Cardoso – O Rio Grande do Sul passa por uma etapa delicada. O governador Eduardo Leite fez um belíssimo enfrentamento do déficit público estadual. Mas, ainda tem muito a fazer, pois o déficit tira a capacidade de investimento do Estado, especialmente em infraestrutura de portos, aeroportos e hidrovias, que é determinante para a competitividade. Ter uma malha de infraestrutura qualificada é fundamental para a atração de investimentos. Acelerar a tecnologia e as iniciativas de inovação é o melhor caminho a ser trilhado pelo Rio Grande do Sul.

Instituto Caldeira – O foco da sua gestão é a inovação. Qual a perspectiva de tratar desse tema junto aos empresários gaúchos?

Cardoso – Da porta para dentro, todos sofreram com a pandemia, mas, quem está respondendo melhor à crise são as empresas que estão participando dessa jornada de transformação digital com agilidade e implementando modelos de negócios vencedores. Por isso elegemos o tema inovação como central da nossa gestão. Queremos levar para o empreendedor gaúcho essa nova visão, mostrar como ele pode aprimorar o seu modelo de negócio por meio da inovação e melhorar a sua relação com o consumidor. Vemos, por exemplo, o setor de agronegócios investindo em tecnologia ao longo do tempo e tem dado um exemplo de resultados contundentes. Por que não aplicar essa mesma visão e outros setores, atraindo investimentos e talentos para o Estado?

O gaúcho é empreendedor por natureza, temos essa marca forte de ser um povo tradicional, mas isso não significa estarmos afastados da inovação. Não é uma contradição. Trazer esse debate para dentro da entidade, chamar grandes parceiros como o Instituto Caldeira e a Fábrica do Futuro para trabalharem conosco para essa mudança de mindset e divulgar isso para os empresários é uma contribuição que poderemos dar.

Instituto Caldeira – Quais os desafios de fazer esse tema chegar às empresas de menor porte?

Cardoso – A grande empresa já olha para esse tema com seriedade, e as médias e as pequenas, muitas vezes, acham que inovação não é algo para elas. Desde startups até o grande negócio podem colher muitos frutos com investimento em inovação. Portugal tem feito isso, e tem sentido os efeitos positivos ao focar sua economia nesse tema. O mesmo vemos com Santa Catarina, que tem investido na atração de investimentos para esse setor. A Federasul tem um papel fundamental na divulgação do tema junto às empresas de menor porte. Temos uma capilaridade de mais de 160 entidades filiadas e 80 mil empresas e queremos usar isso para ajudar a transformar as nossas empresas.

Instituto Caldeira – Como será feito esse trabalho pela entidade?

Cardoso – Queremos criar uma cultura acolhedora para a nova economia. O debate por si só já é instigante. Vamos compartilhar essa experiência com público levando conteúdo e nos aproximando de parceiros para isso, como o Instituto Caldeira. Estamos acelerando ações e temos ótimos projetos em andamento. Queremos ser catalisadores de iniciativas do ecossistema empreendedor, abrir espaço para falar desses temas e levar capacitações para as empresas, promover hackathons e rodadas de investimentos. A meta é trazer parceiros para compartilhar com todos está jornada, assim, potencializaremos os resultados e daremos a nossa contribuição para a mudança do mindset do empreendedor gaúcha, gerando mais riqueza para o Rio Grande do Sul. Um dos próximos passos é o lançamento da nossa plataforma. Temos o desafio da distância física, então, queremos conectar todas filiadas em uma plataforma de serviços que permitirá à empresa ter acesso aos serviços oferecidos pela gente na palma da mão, bem como poder saber das nossas iniciativas e parcerias na área de inovação. Isso será uma realidade ainda neste ano.